Emergência

A situação é demasiado explosiva, para brincarmos com ela, fazermos malabarismo político ou vendermos ilusões. É caso para cantar como o poeta: “Quem vem acender faróis” neste mar social encapelado, que sugiram rotas de portos seguros?

O número dos desempregados cresce assustadoramente. Neste recanto, já ronda o meio milhão! E, desses, mais de duzentos mil à procura do primeiro emprego, sendo que mais de cento e vinte mil há mais de dois anos. Não restam dúvidas, segundo os últimos dados, de que o cataclismo se está a abater sobre uma enorme fatia da sociedade portuguesa, em consonância com o céu pardacento que cobre o mundo.

Emergência! Um plano de emergência social tem de ser a primeira prioridade do Governo, em convergência com todas as instituições e dinamismos sociais. Investir, para repartir! Renunciar, para repartir! Em vez de loucuras megalómanas, em favor de quem já tem, ou ainda tem muito, rumar até às famílias a resvalar para o abismo da miséria.

Um programa de emergência social sóbrio e rigoroso, que previna os abusos, sempre possíveis em ocasiões de carência, que estimule a iniciativa e dê suporte às necessidades essenciais.

Um programa que envolva a todos: instituições públicas e ins-tituições privadas, sem olhar a credos políticos, sociais ou religiosos. Com metas bem definidas e avali-ação ponderada. Mas realista e rápido. Os estômagos vazios, a impossibilidade de cumprir legítimos compromissos…, são caminho aberto para uma explosão social de consequências imprevisíveis.

E que se comece por clarificar esse pântano misterioso em que mergulharam as instituições financeiras, sem se perceber quem regula o quê e como, onde se mete o Estado e por que razão… Se quem tem muito perdeu muito, quem nada tem não pode perder mais! Deixemo-nos de fitas! Cartas na mesa! Vamos saber com o que contamos; e ombrear todos para que possa obviar ao essencial e gerar riqueza que proporcione a saída do beco!