Empobrecimento institucional

Questões Sociais As instituições de solidariedade social vivem num relativo processo de empobrecimento face ao empobrecimento verificado na sociedade envolvente (cf. o artigo anterior). De maneira positiva, elas continuam a prestar os mesmos serviços, mantendo as suas «valências» ou respotas sociais, e até a alargando-as e melhorando-as. Contudo, apesas disso, muitas delas estão a empobrecer, tornando mais clara a distância entre as suas respostas e as necessidades a atender.

Dado que estas necessidades parcem estar a crescer aceleradamente, o mínimo que se poderia esperar das instituições era que adoptassem modalidades de abertura a um maior número de casos ou problemas sociais. Seria de esperar que, por exemplo: criassem ou desenvolvessem serviços de atendimento para todos os problemas; estimulassem a criação e desenvolvimento de grupos de voluntariado social de proximidade, no maior número possível de freguesias; garantissem a cooperação com esses grupos e com os serviços sociais das autarquias e da segurança social; contribuíssem para a elaboração e difusão de estatísticas relativas aos casos sociais atendidos; com base nesta informação, contribuíssem para a consciência colectiva dos problemas sociais; e formulassem propostas de novas soluções dirigidas aos poderes públicos.

Há toda uma dinâmica de revitalização da acção social, nesta fase de crise, que está ao nosso alcnce e se apresenta como indispensável e, além disso, pouco dispendiosa. No caso de a não desenvolvermos, negamos às pessoas pobres, ou em empobrecimento, aquilo que parece mais fácil oferecer-lhes: estarmos com elas; prestarmos as ajudas possíveis; e intervirmos junto da opinião e poderes públicos.

É justíssimo que as organizações representativas das instituições particulares de solidariedade social venham alertando para o grave problema da sua viabilização; com efeito, a inviabilidade traria consigo mais um factor poderoso de agravamento da situação social; no entanto impõe-se, ao mesmo tempo, que as instituições e grupos de acção social difundam informação credível sobre o número de casos atendidos e sobre os respecivos problemas, e intervenham junto dos poderes públicos, a favor das soluções necessárias. Não o fazendo, adiam a prestação de alguns serviços indispensáveis e ao seu alcance.