Na palestra que proferiu a convite do Rotário Clube de Aveiro, o economista Daniel Bessa alertou para o facto de que Portugal ainda vai demorar alguns anos a sair da crise, embora reconheça que “há uma boa notícia: a economia mundial parece que está de novo a correr melhor”.
No entanto, o antigo ministro da Economia do governo de António Guterres não esquece que “Portugal tem os seus problemas e a expectativa que se tem para o próximo ano é de que a economia ainda cresça muito pouco, que não se crie emprego e, pior, espera-se que se continue a perder emprego”. Neste contexto, “a gente mais nova que tem muita dificuldade em encontrar emprego, tende a emigrar, sobretudo os jovens com estudos; quanto aos mais velhos, o problema é se perdem o emprego que têm. As famílias têm que se preparar para isso. Não vale a pena estar a construir muitas ilusões, as coisas são como são e as pessoas têm que tocar a vida para a frente e se o emprego não se encontrar aqui tem que se ir procurar noutros sítios”, afirmou.
Para Daniel Bessa é urgente evitar que “o país entre numa trajectória de crescimento muito baixo” ou, pior ainda, que Portugal entre “em morte lenta”.
A colaboração que o economista espera do Estado para resolver o problema é que “não gaste tanto”. “Quanto mais o Estado gastar mais o país irá ficar endividado no futuro”, afirmou, esclarecendo que “as grandes obras poderão criar algum emprego e gerar riqueza, mas isso irá ser pago no futuro”. Por isso, a solução passa pelas empresas, porque são essas que criam emprego, que geram riqueza e, sobretudo, que exportam. “O Estado não exporta nada. Quem exporta são as empresas”, frisou.
C.F.
