Enchente de alunos católicos em Águeda

Cerca de quatro mil trezentos alunos e professores de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) compareceram no encontro inter-escolas diocesano, realizado na cidade de Águeda, no dia 9 de Maio. Esta 11.ª edição bateu o recorde de participantes, como tem acontecido nos últimos anos, com a nota especial de incluir participantes de cinco escolas da vizinha diocese de Coimbra.

Encontros deste género valem principalmente pelo convívio, pela música, pelos gritos, pelos saltos de barraquinha em barraquinha (por vezes apenas um guarda-sol) a fazer o que alunos e professores propõem: pinturas faciais, girar a roda para ver se sai uma pulseira, um bolo de côco ou um beijinho, pequenas de peças de barro – tudo para pôr um pouco mais de beleza na vida, que era o tema do encontro.

No palco, as escolas podiam mostrar os seus talentos, principalmente musicais, enquanto noutros espaços havia insufláveis e um curioso labirinto feito de andaimes e serapilheira. A julgar pela fila para entrar no labirinto, foi um grande sucesso. No rio Águeda, cujas margens citadinas recentemente foram reabilitadas, havia canoas à disposição, sempre muito concorridas num dia cheio de sol.

No final da manhã, antes da caminhada pela cidade, D. António Francisco deixou aos alunos e professores três breves mensagens. O Bispo de Aveiro lembrou João Paulo II, recentemente beatificado, as palavras que deixou em Lisboa, no Parque Eduardo VII, a quando da primeira visita a Portugal, em 1982: “Vós, jovens, tendes qualidades naturais extraordinárias para evangelizar: o entusiasmo, a alegria, a esperança… Sois os aliados naturais de Cristo!” Por outro lado, lembrou o lema do dia, que retoma o apelo de Bento XVI, há um ano, em Lisboa: “Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza”. Disse ainda sentir-se “feliz com os jovens” e pediu aos alunos que sejam focos de felicidade na escola e na família. Os valores aprendidos e vividos na EMRC devem frutificar em alegria e felicidade nos espaços onde os jovens estão.

Num encontro que é essencialmente de educação, com educandos e educadores, nunca é de mais referir que a educação é o melhor investimento. Gil Nadais, presidente da Câmara Municipal de Águeda, nas breves palavras que dirigiu aos jovens, realçou a necessidade de terem um projecto para o futuro.

Elisa Urbano, directora do Secretariado Diocesano do Ensino Religioso nas Escolas, que organizou o dia com os professores de EMRC de Águeda, no final do encontro fez um balanço muito positivo. Logo de manhã, a instalação sonora deixou de funcionar devido a problemas da corrente eléctrica, mais tarde resolvidos, mas, quanto aos alunos, não se registou qualquer problema. Alguns professores chegaram a manifestar preocupação com a abertura e “permeabilidade” do Largo 1.º de Maio. Facilmente os alunos podiam passar para os cafés vizinhos. Elisa Urbano deixa o balanço final: “Foi muito bom muito. Muito cansativo, mas muito bom. Não houve qualquer problema com os alunos e eles gostaram. Isso é que interessa”.

Jorge Pires Ferreira

“Isto as televisões não vêm filmar”

Um desfile de quatro mil alunos, com dísticos, bandeiras e bombos, não de reivindicação, mas de pura alegria, não é muito comum. As pessoas de Águeda, como noutros locais onde já se realizou o inter-escolas, saíram à rua para ver. O Correio do Vouga falou com algumas.

“Ouvi dizer que é um conjunto de juventude católica. Vi aí o Sr. Bispo e um padre. De resto não sei, há falta de informação. Pelos dísticos, já reparei que há aqui gente de diversos sítios da região de Aveiro. Gostei imenso. É uma alegria”, afirma Adélia da Conceição. Já Maria do Céu tem uma impressão diferente. “Pelo que estou a ver, acho que é por causa das provas. Se calhar a garotada tem razão”, diz, talvez julgando que se trata de uma manifestação contra os exames. O jornalista explica que são alunos de EMRC. “Ah! Deviam todos ter. Então admiro muito estes jovens”, remata.

À porta da loja onde trabalha, Marta Trindade e as suas colegas sabem que é um “encontro da Religião e Moral de todo o distrito” [na realidade, é da diocese, que é mais pequena do que o distrito]. “O acontecimento devia ser mais divulgado. É muito giro. Veio dar alegria à cidade”, afirma Marta. “No meu tempo de estudante não havia nada disto. Mas eu tive Religião e Moral”, realça. Uma das suas colegas lamenta-se: “Isto as televisões não vêm filmar. Mas filmam coisas sem importância”.

José Tavares Pereira pensa que se trata de uma “concentração da juventude que veio cá fazer umas conferências”, a “nível nacional”. Informado pelo jornalista do que realmente é o inter-escolas, afirma: “Estou admirado. O país atravessa tantas crises… Cá está uma coisa positiva. Como é em prol de coisas boas, concordo”.

TESTEMUNHOS

Daniel Silva

Professor em Estarreja

Tenho comigo cerca de 360 alunos. É importante que eles venham para conhecer que há uma quantidade imensa de outros jovens que também frequentam a disciplina. Revêem-se e sentem-se entusiasmados com a participação de tanta gente. De alguma forma, isto contagia a dinâmica da disciplina na escola.

Inês Amaral

Aluna de Águeda

Ando nesta disciplina porque sou católica. A EMRC ensina-me a ser melhor pessoa. Este dia está a ser muito divertido. É a primeira vez que participo num inter-escolas.

José Cruz

Professor em Águeda

Sou um dos anfitriões. Apesar de alguns contratempos com o som, logo de manhã, o dia está acorrer muito bem. Estes encontros são importantes para os alunos. Dá-lhes o espírito de grupo. Os da minha escola [Marques de Castilho], por exemplo, pintaram todos o cabelo da mesma cor. Vivem o dia com muita intensidade.

José Joaquim Esteves

Aluno de Aveiro

É muito importante estar na EMRC, para mais, tendo a excelente professora que tenho. É uma disciplina que nos transforma e nos faz sentir mais ligados uns aos outros, realça valores humanos, permite viver experiências profundas como a semana que passamos no Carnaval em Taizé (comunidade religiosa que acolhe jovens em França).

Ana Rita

Aluna de Pardilhó

É importante ter EMRC [“para vir cá”, acrescente um colega] para conviver, para falar sobre a vida humana, os direitos humanos, a religião. A disciplina dá-nos orientação.