Pintora e escritor participam no encontro “O Transcendente Presente”, no âmbito da Missão Jubilar, sobre Deus, a beleza e a criação artística.
No contexto da exposição de arte sacra das 101 paróquias da Diocese de Aveiro, realiza-se no dia 2 de março, pelas 21h, no Museu de Aveiro, um encontro com a pintora Emília Nadal e o escritor Gonçalo M. Tavares. A sessão, aberta a todos, de entrada gratuita, tem como tema “O Transcendente Presente”. Pretende-se gerar um diálogo entre os dois artistas e o público sobre a presença do divino na arte, a beleza como caminho de acesso ao transcendente, a criação artística como forma de tornar presente o que nos ultrapassa.
Sobre a criação artística e a presença de Deus há, naturalmente, perspetivas diferentes. Emília Nadal, pintora, é católica, pela palavra, tem-se manifestado preocupada com a atualidade da fé e com a concretização do Concílio Vaticano II. Através da imagem, expressa o sublime, representa o divino, sempre através de metáforas e analogias, como não poderia deixar de ser. Desta pintora pode ser apreciada uma obra à entrada da exposição diocesana no Museu de Aveiro.
Gonçalo M. Tavares, escritor, escreve reconhecendo a sociedade de tradição católica em que vivemos. Um dos seus títulos mais premiados é “Jerusalém”. Outro título de um dos seus livros: “Aprender a rezar na era da técnica”. Não é um manual de oração. É um romance. Mas até por ser o último da tetralogia “O Reino” estamos perante referências que obrigatoriamente nos remetem para o contexto cristão.
Num texto publicado no jornal “Público” (3 de janeiro de 2013), o escritor com origens em Aveiro (e honrado com a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Aveiro, em 2005) cita uma personagem de Hans Christian Andersen que diz: “Pediram-lhe para rezar, mas ele só se lembrava da tabuada”. E acrescenta: “Há muito que a Europa se instalou na tabuada. Por cima do mapa do Continente poderíamos escrever simbolicamente 2×3=6 ou a tabuada inteira, mas cometeríamos um sacrilégio se escrevêssemos uma oração, por exemplo, o Pai nosso que estais no Céu, Santificado seja o Vosso nome. O sacrilégio mudou de objeto. Na Europa, em 2013, o discurso religioso que conteste uma adição ou uma multiplicação será apedrejado”. No mesmo artigo, com ideias sobre valores para 2013, escreve: “Os pecados capitais são agora oito: gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça, vaidade e incompetência. O incompetente não entrará no reino da Terra”.
Escritor crente? Não sabemos. Escritor que se inspira e usa o transcendente e a cultura cristã? Certamente. Por isso mesmo, o serão de 2 de março, que conta também com uma intervenção musical de Diogo Alte da Veiga, promete ser uma boa oportunidade para saber como uma artista da imagem e um artífice da palavra vivem o transcendente presente.
J.P.F.
