Questões Sociais No artigo anterior abordou-se um erro gravíssimo das nossas políticas e acção sociais; respeita ao menosprezo da entreajuda e dos grupos de voluntariado social de proximidade. Agora aborda-se um outro erro, igualmente grave, estreitamente ligado ao anterior; respeita ele à falta de articulação entre essa acção de proximidade e, por outro lado, as instituições particulares, os organismos públicos e os centros de decisão política.
Ao contrário do que seria normal, os representantes dos grupos de voluntariado social de proximidade não reúnem regularmente, salvo uma ou outra excepção, com representantes de instituições particulares nem de organismos públicos de acção social. Deste modo, não beneficiam da respectiva cooperação; e, pior do que isso, os grupos, bem como a entreajuda, ficam sobrecarregados com problemas sem solução; e, ainda pior, vêem marginalizadas as pessoas atingidas por esses problemas.
Dentro da mesma lógica – desumana – as assembleias de freguesia e municipais não fazem, em geral, a apreciação política dos problemas sociais, não tomam as providências que estejam ao seu alcance e não formulam propostas, de carácter geral e consistente, ao Governo central. Em paralelo com esta omissão, O Governo central não reúne regularmente com representantes das instituições e de grupos de acção social, visando a análise dos problemas, a avalidação das capacidades de solução e a adopção das decisões consideradas necessárias. Também a Assembleia da República, ao contrário de resoluções que adoptou em 2008, não procede à análise das situações de pobreza e exclusão social, em ordem à respectiva superação.
Pode afirmar-se, com relativa segurança, que o nosso país ainda não assumiu as suas responsabilidades sociais; quando as assume, limita-se a determinados grupos desfavorecidos, em prejuízo de outros; e, para cúmulo de irresponsabilidade, não aproveita as potencialidades da acção social «mais modesta» e menos dispendiosa. Até quando continuaremos assim, nas políticas e práticas marcadas pelo orgulho e pelo novo-riquismo despesista?
