Escol.a Homem Cristo tem 150 anos

A cidade de Aveiro possui o mais antigo edifício projectado e construído de raiz para acolher um liceu. O imóvel com 150 anos de existência foi inaugurado em 15 de Fevereiro de 1860, conforme escreveu Marques Gomes, em 1875, nas “Memórias de Aveiro”, realçando que “o edifício do liceu é, sem dúvida, neste género, o primeiro, em Portugal”.

Nesse imóvel funcionou, durante décadas, o Liceu José Estevão (inicialmente Liceu Vasco da Gama). No presente, acolhe a Escola Secundária Homem Cristo.

No dia 16 de Julho de 1853, numa intervenção no Parlamento, José Estevão requereu ao Governo a construção de um novo edifício do liceu de Aveiro, já que ele ocupava um espaço alugado.

José Tavares, na “História do Liceu de Aveiro”, publicada no Arquivo do Distrito de Aveiro, diz que o local escolhido para receber o liceu foi o proposto por José Estevão, e que era o espaço da antiga e histórica Albergaria de S. Brás. Em 1855, as obras de construção foram orçadas em 16.800 escudos (mas acabaram por custar 27.000). No dia 5 de Março desse ano, uma portaria assinada por António Maria Fontes Pereira de Melo autorizava a demolição do troço das muralhas de Aveiro contíguo ao Paço Episcopal, para aplicar a pedra na construção do liceu (e da biblioteca pública, incluída no mesmo imóvel), cuja demolição teve início no dia 26 de Março.No dia 12 de Maio, já nada restava desse troço da muralha nem da antiga albergaria. Na construção do liceu foi também usada pedra do troço da muralha junto às Portas da Ribeira e das casas anexas.

Em 1855, foi publicada a portaria que ordenava a construção do liceu. No dia 19 de Julho desse ano, a Câmara Municipal de Aveiro já tinha o alinhamento definitivo para as obras do liceu (e também do vizinho Teatro), feito por Agostinho Lopes Pereira Nunes, director das Obras Públicas do Distrito de Aveiro, tendo-se iniciado, de imediato, as obras de construção, as quais estavam praticamente concluídas em 1859.

A inauguração do novo edifício, com projecto do aveirense Ricardo da Maia Romão, como refere Amaro Neves, no livro “Aveiro – História e Arte”, teve lugar no dia 15 de Fevereiro de 1860, ano em que era reitor o médico aveirense Francisco José de Oliveira Queirós.

Após o incêndio do Paço Episcopal, ocorrido em 20 de Junho de 1864, as repartições do Governo Civil e da Fazenda foram instaladas no edifício do Liceu, onde permaneceram até 1903.

Apesar de recém instalado, em 1888 algumas personalidades aveirenses propõem a construção de um novo edifício para o Liceu, obras que deveriam ocorrer no local das ruínas do Palacete do Visconde de Almeidinha (espaço onde hoje está instalado o Governo Civil de Aveiro), proposta que não avançou. Em 1919, foram adquiridos os edifícios e quintais contíguos ao Liceu, por 10.000 escudos, para permitir a ampliação do liceu, ficando este com cerca de 5.000 metros quadrados de área. Nesse ano, no dia 6 de Janeiro, o liceu passou a designar-se por Liceu Central Vasco da Gama.

Cardoso Ferreira

Liceu andou de “casa em casa”

O “Liceu”, como então se designava a escola, foi criado em 1851. Nesse mesmo ano, no dia 17 de Setembro, foi instalado no edifício do Paço Episcopal de Aveiro (que ficava perto da actual localização da escola) . Em Outubro de 1852, mudou-se para a Casa de Francisco José de Pinho Ravara (que depois pertenceu a António Souto Ratola e hoje é residência do artista plástico Carlos Souto), na então Rua Santa Catarina (actual Rua 31 de Janeiro), onde esteve até 1857. Neste ano voltou a mudar de casa, ficando instalado nas dependências do Convento de Santo António, imóvel cujo interior sofreu diversas obras de adaptação. Aqui permaneceu até à construção do novo edifício.