Escola e imprensa juntas em defesa do português

Colégio de Calvão lança desafio A leitura precoce e o papel que a imprensa regional pode desempenhar no incentivo pelo gosto da leitura e da escrita nas crianças e jovens esteve em foco no encerramento da XV Feira do Livro, promovida pelo Colégio de Nossa Senhora da Apresentação, em Calvão.

No último dia do certame, o grupo disciplinar de português realizou dois eventos: o primeiro, durante o dia, em que o convidado foi o escritor e jornalista Armor Pires Mota, que manteve encontros com os alunos de português; à noite, decorreu um encontro direccionado para o corpo docente de português e educadoras de infância, com a participação de Iolanda Ribeiro, docente na Universidade do Minho, e jornalistas da imprensa local, regional e nacional.

“Leitura precoce, condição privilegiada de sucesso educativo: papel da imprensa regional”, foi o tema do debate da noite, em que a primeira parte foi preenchido por uma palestra de Iolanda Ribeiro sobre a leitura precoce. Para esta docente, o gosto pela leitura e pela escrita não se deve iniciar no primeiro ciclo do ensino básico, nem mesmo no jardim de infância, mas deve ocorrer muito antes, logo com o nascimento, de modo a que a leitura e o contacto com os livros seja uma coisa natural, com que a criança vai crescendo, tal como cresce com os brinquedos.

Por isso, e de acordo com o estudo apresentado por esta docente universitária, há três escalões etários importantes no incentivo pela leitura: dos zero aos três anos, dos três aos seis anos, e dos seis aos dez anos, sendo os dois primeiros os mais relevantes, porque “as crianças que no primeiro ano do primeiro ciclo têm problemas com a leitura não vão ganhar o gosto pela leitura”, de modo a evitar o que actualmente é uma realidade comum, com “alunos do quinto ano que não sabem ler ou que lêem mas não sabem ler ou não compreendem o que lêem”.

O encontro também visou encontrar possíveis formas de cooperação entre a escola e a imprensa, nomeadamente a local e regional por estar mais “próxima” da população, para o fomento do gosto pela leitura e pela escrita, ou seja, pelo ensino do português. Esse foi mesmo o mote do desafio que o padre João Mónica lançou aos jornalistas e respectivos órgãos de comunicação presentes no encontro.

“Compassos” é o título do jornal/revista publicado pelo Colégio de Nossa Senhora da Apresentação, órgão que, pela qualidade dos trabalhos apresentados, profusão de fotos (incluindo com cor), paginação, design gráfico, tipo de papel e tiragem, é muito mais do que um “jornal escolar”, como se comprova pelo último número editado. O desafio do director do colégio também passa pelo apoio que as escolas dão (ou não dão) a este tipo de imprensa escolar.