Escolher!

O comentador não deixou margem para dúvidas. Estamos cansados de malabarismos economicistas: noites a fio nos varrem o cérebro com propostas e contra-propostas, com sugestões e acusações, com prós e contras, com “verdades” mágicas…

Certo, certo é que os ânimos continuam na mesma desilusão, as empresas continuam a fechar, os desempregados a aumentar, os dramas pessoais e familiares a alastrar. Os preocupados desdobram-se em ginásticas mentais em busca de soluções – ou remedeios; mas uma enorme multidão habitua-se a confiar num subsídio ao fim do mês, ainda que seja escasso.

E ainda se não ergueu a voz carismática que a todos nos convença de que somos capazes, que temos de ser todos. Ainda não surgiu o carismático ou a carismática que ponha o dedo nas feridas e aponte sem receios nem interesses pessoais ou de clã os caminhos da esperança a percorrer.

Caminhos que bem poderiam passar por: uma Justiça clara e célere, seja no que toca aos crimes económicos, seja no que a “históricos” processos diz respeito, que inspire confiança; uma fiscalidade que toque, sem alaridos mas com rigor, nos bolsos de quem se tem governado à custa da burla, em vez de extorquir os magros cêntimos a quem já tem o cinto apertado até ao último furo; uma educação de base que promova as competências, que estimule o trabalho e que, sem deixar de dar oportunidade a todos, reconheça a excelência.

Por mais que digamos que a Política é uma missão nobre, ela não existe em abstracto, porque se realiza por homens ou mulheres, humanos como nós. Mas entrar nela é uma responsabilidade. Se a não têm, terá de ser o povo a fazer-lhes ver que esse não é o lugar de governar as suas vidas e as dos seus amigos, terá de ser o povo a fazer-lhes sentir que a sua missão é galvanizar a todos para vencer a crise! É desses políticos que precisamos. São esses políticos que temos de escolher!