Celebrou-se no dia 28 de Outubro o VIII Dia Nacional do Voluntário Missionário. Um colóquio sobre tecnologia ao serviço da missão, exposições, uma feira, acções de sensibilização, o lançamento de uma agenda e a Eucaristia preencheram um dia inesquecível para os 180 voluntários, maioritariamente jovens, vindos de todo o país.
D. Ximenes Belo aconselhou os voluntários missionários de todo o país, maioritariamente jovens, a passarem a escrito as memórias das suas experiências “para que nada se perca”. Falando no colóquio “A Tecnologia em favor da Missão”, que decorreu no Auditório da Assembleia Municipal (antiga Capitania), o antigo delegado apostólico de Timor e Prémio Nobel da Paz em 1996 disse que em Timor, mesmo na actualidade, as tecnologias funcionam mal. “Quero contactar os meus dois colegas bispos, os padres ou os membros do governo e nem sempre funciona. Porque é muito caro, comunicamos pouco. Por outro lado, em Timor não há electricidade 24h sobre 24h. As máquinas sem electricidade não funcionam”.
D. Ximenes Belo, actualmente a residir no Colégio Salesiano de Mogofores, revelou que está a escrever a História de Timor e se debate com a dificuldade de encontrar fontes históricas. Muitos documentos sobre Timor foram destruídos em naufrágios, em incêndios que assolarem Dili ou “comidos pela formiga branca”, disse.
Na independência da ilha do sudeste asiático, as novas tecnologias não tiveram grande relevo, segundo o bispo timorense, mas houve factos que foram potenciados através das televisões, como a visita de João Paulo II ao território, o massacre do cemitério de Santa Cruz ou a atribuição do Prémio Nobel da Paz a si próprio e a Ramos-Horta.
Como exemplo do modo como se processava a comunicação com o exterior durante a ocupação da Indonésia, D. Ximenes referiu que em 1989 escreveu uma carta ao secretário-geral das Nações Unidas, que era então Xavier Perez de Cuellar. A carta saiu de Dili pela mão de um mensageiro (caso contrário seria “inspeccionada” pelos ocupantes), veio para Portugal, chegou a D. Manuel Martins, na altura bispo de Setúbal, e só depois à ONU. Neste processo todo, demorou “três ou quatro meses”, disse D. Ximenes Belo.
Imprensa e Internet
ao serviço das missões
No colóquio intervieram ainda Rosário Costa e Jorge Pires Ferreira. A colaboradora da empresa de novas tecnologias Palo Alto defendeu o uso da Internet “como rede”, para “democratização da opinião”, para a “divulgação de imagens que transmitem emoções”, como ferramenta de trabalho na formação de voluntários ou nos países de missão. O jornalista Jorge Pires Ferreira considerou que o trabalho dos voluntários tem matéria suficiente para ser notícia (“tem protagonistas”, “tem sofrimentos”, “tem rostos”, tem ambientes diferentes e contraposição de culturas, tem imagens bonitas), mas anda um pouco arredado dos meios de comunicação social, pelo que sugeriu que os voluntários tenham formação sobre “como contactar com a imprensa” e “como relatar uma história”, enquanto as organizações que formam e enviam voluntários deveriam ter um plano de actuação nos meios de comunicação social, de modo a que todos conheçam as actividades desenvolvidas.
Na sessão foram ainda apresentados dois projectos com base na Internet, o site Orbis (www. orbiscooperation.org), de Aveiro, e o blog Ondjoyetu (“A nossa casa”) (http://ondjoyetu.blogspot.com) do Grupo Missionário de Leiria.
Última nota: A Orbis está de parabéns pelo modo alegre, criativo e profundo como assumiu e dinamizou o Dia Nacional do Voluntariado Missionário na cidade de Aveiro.
C.V.
Agenda para recordar
os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio
O último momento do Dia Nacional do Voluntariado consistiu no lançamento da Agenda 2008. Até ao próximo ano, os voluntários vão tentar vender o máximo de agendas (5 euros), não só porque de facto é muito bonita, mas também porque a receita servirá para financiar projectos de voluntariado, ao mesmo tempo que são divulgados os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). Vale a pena recordá-los:
1. Erradicar a pobreza extrema e a fome
2. Alcançar o ensino primário universal
3. Promover a igualdade de género e capacitar as mulheres
4. Reduzir a mortalidade infantil
5. Melhorar a saúde materna
6. Combater o HIV-SIDA, a Malária e outras doenças
7. Garantir a sustentabilidade ambiental
8. Fortalecer uma parceria global para o desenvolvimento
(Mais informações sobre os ODM: www.objectivo2015.org)
