Espanhóis projectam resort para a Costa Nova

Ainda não passa de um “conjunto de ideias”, mas já faz mexer: um hotel, 200 a 300 apartamentos e uma marina no sul da Costa Nova

Segundo a revista da Câmara de Comércio Luso-Espanhola, os grupos espanhóis Occidental Inmobiliária e a Globália pretendem investir cerca de 80 milhões de euros na construção do “Costa Nova Resort”, que ocupará uma área de 27,5 hectares, situado imediatamente a sul do actual casario da Costa Nova, estendendo-se entre a estrada marginal da ria e a praia atlântica.

O investimento contempla a construção de um hotel de cinco estrelas, com 144 quartos, e demais serviços inerentes a um hotel daquela categoria, um centro de convenções, uma marina fluvial e ainda entre 200 e 300 apartamentos. Os empreendedores estão disponíveis para construir 33 habitações sociais, como contrapartida económica.

De acordo com a revista, o projecto já entrou na Câmara Municipal de Ílhavo. No entanto, o presidente do executivo municipal ilhavense, Ribau Esteves, referiu a este jornal que esse projecto “ainda não passa de um conjunto de ideias”, que para poder avançar estará dependente da alteração do Plano Director Municipal (PDM), após o que terá de ver o respectivo estudo de impacto ambiental (EIA) aprovado, até porque se insere também na zona abrangida pelo Plano de Ordenamento da Orla Costeira.

Apesar de todos esses entraves, a autarquia ilhavense está receptiva a esse tipo de projectos, desde que tenham enquadramento legal e não colidam com o PDM.

Um projecto com esta envergadura gera polémicas, não só em termos politico-partidários, mas também por questões ambientais e turísticas. As recentes inundações ocorridas na zona fluvial (da ria) na Costa Nova e o avanço constante do mar no litoral aveirense (como uma vez mais ocorreu na Barra e no Furadouro) reforçam as opiniões contrárias à concretização do projecto.

Numa entrevista à Rádio Terra Nova, o professor da Universidade de Aveiro, Carlos Costa, especialista na área do turismo, afirmou-se contrário a esse tipo de investimentos (onde também incluiu a prevista Marina da Barra), alertando para os perigos da construção excessiva nas zonas turísticas, dizendo mesmo que esse excesso de construção pode mesmo ter efeitos contrários no turismo, afastando o turista, motivo pelo que em certas zonas turísticas de Espanha já se estão a implodir hotéis e complexos turísticos. Ribau Esteves contesta as afirmações deste docente, tanto no que se refere às implicações no turismo local da eventual concretização do “Costa Nova Resort”, como também nas questões ligadas à Marina da Barra.

C. F.