Esperança

Poço de Jacob – 55 Nestes anos diocesanos de preparação para o jubileu do restauro da Diocese de Aveiro, cada etapa fala-nos de Esperança. Não se trata de recordar um passado, mas de nos prepararmos – os que lêem este artigo e a nossa diocese –, sob o impulso desse passado, para o futuro, em que, correspondendo ao apelo do Papa no Reino Unido, há semanas, somos chamados a ser os santos canonizáveis do século XXI. Esperamos atingir a santidade. Como comunidade. Como indivíduos. Correspondendo ao plano amoroso do Pai, em seu Filho Jesus Cristo.

A esperança define-se como desejo confiado. Desejamos e confiamos que vamos obter o objecto deste nosso desejo. A esperança, como a fé, existe no âmbito meramente humano. Todos os dias acreditamos que vamos alcançar o que desejamos e lutamos por isso.

Na nossa vida, no essencial, que é o nosso destino último, só há uma esperança: alcançar Jesus Cristo. Melhor: sermos alcançados por Ele, como S. Paulo diz que lhe aconteceu a ele. Jesus é a meta da nossa vida. É a plenitude da vida que pretendemos alcançar quando depositamos em Jesus a nossa esperança. Desejamos possuir os bens prometidos, que a morte não consegue apagar, como promessa, como meta, como recompensa. Os bens prometidos são a posse de Deus, sem perigo de o perder. Quem tem Deus tem tudo. Por isso, queremos Deus… ainda que muitos, por não aceitarem o desafio de o querer, não entendam os que O querem.

Acreditar não é cómodo. Esperar, por vezes como Abraão, contra toda a esperança, não é tarefa fácil. Temos momentos muito nublados em que temos de mostrar a autenticidade da nossa vida e da nossa fé, continuando a crer que Deus continua fiel às suas promessas. Foi isto que animou a fé do Povo de Deus na sua caminhada para a pátria prometida, ao longo das páginas da Bíblia. Isto animou os mártires do cristianismo ao longo de 21 séculos. Isto animou e anima a fidelidade de todos os que acreditamos na praia que está na outra margem.

No meio das tempestades da vida, das noites escuras, das dúvidas e dos traumas, da doença e do luto, nós continuámos certos de que o guia da nossa fé tem poder para nos dar o que prometeu.

Ouvi certo dia e creio que é verdade que, quando em coisas boas e lícitas sentimos um desejo de alcançar algo e esse desejo nos anima a caminhar e é constante nas nossas acções e orações, é porque Deus nos quer dar o que desejamos. Só temos que confiar. E que a oferta de Deus não se mede por categorias do tempo e do espaço. Mede-se no que se chama o tempo e o espaço de Deus, bem diferente das nossas categorias: “Mil anos para Deus são como o dia de ontem que já passou”. Por isso, educar na esperança da vida eterna ensina o homem a ter princípios e maneiras, pois para alcançar o que desejamos não podemos desmerecer a recompensa prometida. Daí entendermos o grito dorido de Nossa Senhora em Fátima no dia 13 de Outubro de 1917: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”. Ou o seu conselho em Caná: “Fazei tudo o que o meu filho vos disser”.

Coragem, pois como disse Santa Teresa de Jesus, “nada te perturbe; nada te espante; tudo passa; Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem a Deus tem nada lhe falta. Só Deus basta”.

P.e Vitor Espadilha