Opinião 1 – Entrámos em nova governação. Parece incontestável. Do desencanto e pessimismo instalado, os portugueses passaram a uma confiança duradoura na nova equipa governativa – o que leva a supor que o “estado de graça” do recém empossado governo será para durar. Uma vantagem que já há muito não sustentava o poder.
Todavia, se pensarmos que o resultado eleitoral terá sido mais de protesto do que de escolha, não ficaremos assim tranquilos, já que os ventos podem alterar de rumo com facilidade. Facto é que o ambiente é, para começar, de algum optimismo.
2 – O clima de serenidade não nos livrará de sobressaltos. A “esquerda fanática” alimenta a ilusão da vitória e de impor agenda política ao partido da maioria absoluta. E os problemas prementes do país não se compadecem com a prioridade às ideologias. Além disso, no seio da maioria – e com assento no Parlamento – há uma esquerda radical, que pode vir a criar ilusões de protagonismo, de consequências imprevisíveis. Não será, por isso, tão estável a situação.
3 – Algumas semelhanças com o passado são de sinal contrário. A grande reserva com que o eng.º Sócrates conseguiu formar governo não é original, mas é apreciável. Porém, as inconvenientes antecipações de declarações, por parte de algum ministro, fazem lembrar tempos de dizer e desdizer.
A abrangência do elenco governativo faz-nos supor um vasto espectro de apoio da competência; todavia, “Guterres voltou”! E os tempos do outro engenheiro não foram de consolidação do futuro do País. E os ministros que aparentam maior segurança nas suas convicções, têm telhados de vidro: “O Diogo é o tipo de intelectual que desejaria viver com os princípios. Mas, como ignora tudo da realidade envolvente, quando olha para a vida é capaz de sacrificar os princípios pelas situações.”
4 – No seu discurso de início, o Primeiro Ministro falou de igualdade de oportunidades e de liberdade. Mas não explicou a sua aplicação concreta. Vai ser um maior intervencionismo e providencialismo estatal ou maior responsabilização da iniciativa privada e da sociedade civil? Vamos esperar para ver!
Querubim Silva
