Estação de Jesus

Poço de Jacob – 106 Em Lednica, na Polónia, lugar do Batismo da Polónia em 966, um padre dominicano polaco, num campo de uma antiga batalha teutónica de nome João Gora, faz um encontro anual com mais de cem mil jovens, um encontro radical com Cristo. O símbolo desse encontro é um grande peixe. Neste ano de 2012, será entregue o Diário de Faustina Kowalska [religiosa polaca, mística, conhecida por “Apóstola da Divina Misericórdia”] a cada um. Nesse encontro há catequese, Missa, confissões com centenas de padres e apoio de centenas de religiosas. Também há jogos, cânticos e muita adoração ao Santíssimo e reflexão. Um acontecimento nacional não noticiado, como também nada sabemos do maravilhoso dia 10 de junho, em Fatima, onde se reúnem milhares de crianças do nosso Portugal. Aos meios de comunicação não lhes interessa esses eventos que formam, mas só os outros que aglomeram o vício e a desordem… No entanto, um filantropo polaco teve a ideia de fazer uma ação contrária noutro lugar da Polonia, também no verão, onde junta centenas, senão milhares de jovens e adultos sob o Lema: “Faz o que quiseres”. Estão montadas infraestruturas chamadas estações, para tudo o que uma pessoa quiser, sexo, bebidas, drogas…. Simplesmente faz o que o instinto mandar.

O bispo dessa diocese, preocupado com a proporção do evento, mobilizou as forças vivas da diocese, e já que as estações são montadas por quem quiser, ele propôs fazer ali a tenda-estação de Jesus. Ficou surpreendido com a resposta: padres, freiras, com seus hábitos e batinas, jovens, casais montaram a tenda de Jesus. O bispo muda para lá a sua residência e, com essas pessoas, coloca o Santíssimo exposto e convida todos os da feira da libertinagem ao encontro com Jesus ao estilo de Taizé, com música, danças e oração. Uma verdadeira contra-revolução de ataque às forças do mal que mobilizam uma Polónia inteira. Iniciativa muito interessante, embora nada noticiada.

Impressionou-me ver a atitude e a reportagem na TV católica polaca, quando lá fui, e interroguei-me: Se eu fosse jovem, que estação me atrairia mais? E interroguei-me que força de convicção tenho eu para anunciar assim, Jesus, com a alegria de quem foi alcançado e deseja salvar os outros. Interroguei-me da minha coragem de testemunhar num ambiente hostil… Lembrei-me de Joseph Fadelle, que há dias recebeu uma ameaça do seu primo a dizer que, por se ter convertido a Cristo, será morto pelas mãos de uma criança, quando menos pensar… Ou da jovem mãe do Paquistão, condenada a ser enforcada por ser cristã e ter bebido água num copo das colegas muçulmanas, tendo assim cometido um ato de impureza para com elas… Pergunto-me porque me queixo de estar só, quando Ele está a meu lado, ou me lamento da sorte ou falta dela quando o que interessa é o nosso SIM. Tantas perguntas diante de uma Igreja viva que se dá até o derramamento de sangue, no meio da nossa enorme mediocridade e comodismo. Quero estar na Estação de Jesus. E tu? Que tenda escolherias se pudesses escolher? St.º Agostinho indica-nos o caminho: “Ama… e faz o que quiseres”. Só o amor por Jesus nos ajuda a saber escolher a melhor parte.

Vitor Espadilha