“Estamos todos na mesma barca”

Uma pedrada por semana Este é o título do último livro do Cardeal Carlo Martini, fruto de uma entrevista dada ao longo de três meses, a Luigi Verzé, um cientista e entrevistador exigente.

Já emérito, o Cardeal Martini continua a ser escutado com proveito, tal a limpidez de um pensamento actual e repassado de sabedoria, o amor à Igreja e o compromisso com a sua missão evangelizadora no mundo, que um bispo vive até ao fim.

Dá-se conta da sua grandeza logo no início, quando Verzé lhe pergunta: “Eminência, posso tratá-lo por Eminente Padre?” A sua resposta com o habitual sorriso foi esta: “Chame-me Padre Carlo Maria Martini”. Está tudo dito. O espírito do Vaticano II penetrou-lhe até aos ossos. Os superlativos são para Deus. Se cada um os dispensar ficamos todos mais povo de irmãos. Lá mais adiante, o tema volta ao diálogo.

Mas é o título do livro que mais me interessa. “Estamos todos na mesma barca”. Como é importante tomar conta desta realidade nos tempos que correm para a Igreja e para a sociedade! Se os cristãos a tomarem a sério, o fermento levedará a massa da indiferença, do egoísmo, das manias de grandeza, do ultrapassado desejo de graus diferentes. Todos iguais no nascer, todos com a certeza no morrer, todos redimidos pelo mesmo Cristo! A lição que Deus nos dá para cimentar a igual dignidade.

Na mesma barca, para enfrentar os problemas, remover os obstáculos, sentir na nossa a mão do outro, ninguém se podendo omitir. A tempestade e a bonança cobrem sempre os olhos de todos os que navegam em conjunto. Bento XVI também o sublinhou.