Estarreja quer projecto de proteção do Baixo Vouga Lagunar

Volta a falar-se do dique para proteger o Baixo Vouga Lagunar.

Insistiu-se na ideia num escontro em Estarreja.

O presidente da Câmara Municipal de Estarreja, José Eduardo de Matos, defendeu a continuidade do projeto de proteção do Baixo Vouga Lagunar (BVL), na intervenção que proferiu na abertura do workshop “Dois temas: Gestão da água e Intervenção territorial integrada”, realizado em Estarreja no âmbito do projeto F:ACTS, salientando ainda que “estas ações chamam a atenção e antecipam riscos que requerem inadiáveis intervenções há muito necessárias”.

O workshop, que foi realizado no âmbito do programa Erasmus, por um grupo de 44 estudantes, de 13 nacionalidades e de quatro universidades, explorou cenários e alternativas de intervenção no BVL, na procura de soluções para os problemas da diminuição de produtividade de atividades tradicionais, degradação da base ecológica de recursos e ausência de alternativas ou oportunidades socioeconómicas.

Como proteção contra o avanço da água salgada no BVL, o estudo preconiza medidas infraestruturais, defende a criação de pequenas barragens de controlo de água doce e proteção das áreas agrícolas e a eliminação de espécies exóticas tendo em vista a defesa da paisagem do Bocage.

Esse estudo, apresentado por Filomena Martins, do Departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade de Aveiro, admite a salinização de terrenos a norte e a introdução de culturas mais resistentes à presença do sal, mantando-se a agricultura tradicional nas zonas não salinizadas e o incremento de atividades ligadas à observação da natureza.

Luís Bandeira, do POLIS da Ria de Aveiro, defendeu o prolongamento do molhe sul, até ao Rio Vouga, recorrendo ao depósito de materiais dragados, numa solução económica e ambientalmente vantajosa.

Amplitude das marés subiu mais do dobro em cem anos

Pedro Brito, da Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), relembrou os pontos fortes do tão falado projeto do Baixo Vouga, sublinhando a fragilidade dos sistemas primários de diques de proteção face aos novos efeitos crescentes das marés. Em 1905 a amplitude das marés vivas era de 1,45m, em 1990 subiu para 2,50m. E em 2006, a amplitude sobe para mais do dobro, 3,73m.

O reforço do dique existente a sul e a norte é a principal intervenção defendida por este anteprojeto, para defender o solo da água salgada, complementando com a criação de estruturas hidráulicas no Rio Velho, em Canelas, Salreu e no Rio Antuã. O projeto prevê ainda a defesa e controle de cheias, uma vez que a zona é ainda um local de descarga do Vouga, Antuã e de diversas linhas de água, através do reforço de diques, reabilitação de valas, implantação de descarregadores de cheias, reforço da vazão do esteiro da Linha e do Rio Jardim e o desassoreamento do leito do Antuã.

Queixa do autarca de Cacia

Casimiro Calafate, presidente da Junta de Freguesia de Cacia, afirmou ser “chocante que venham os jovens dizer que somos criminosos com o nosso território e o deixamos abandonado”, reiterando que “é um crime o que se está a fazer ao Baixo Vouga mas sobretudo ao território nacional, que é dos melhores que temos em termos agrícolas e ambientais e ninguém tem tido a sensibilidade para o defender como deve ser”.