A conflituosidade é uma realidade permanente da nossa vida colectiva; mais ou menos visível e mais ou menso extremada: No século XIX, chegou mesmo à guerra civil; durante a 1ª. e a 2ª. repúblicas traduziu-se em várias lutas com recurso às armas; entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975, nova guerra civil «esteve por um fio»; e, desde então até hoje, persistem os mesmos desentendimentos de fundo… Não parece razoável pensarmos no futuro do país sem ponderarmos os conflitos que o vão minando. Assim, na linha de abordagens anteriores, procede-se, neste artigo, à sinalização de algumas forças sociopolíticas, e reserva-se para o seguinte uma breve reflexão acerca das tendências previsíveis.
Com o risco de omissões importantes, assinalam-se as seguintes forças: Em termos de estratificação social, o grande capital, a economia paralela, as «classes médias» ascendentes, as «classes médias» descententes, ou empobrecidas, o lastro popular e o povo pobre…; em termos de intervenção sociopolítica, o Estado, os partidos políticos, os «parceiros sociais» (sindicais e patronais), os grandes meios de comunicação social, o «mundo da cultura» (tecnológica, humanista, económica…), as «forças morais» (de natureza religiosa ou laica)… Em todas as forças, existem detentores de capital, empresários e trabalhadores por conta de outrem.
No grande capital incluem-se as «grandes fortunas», os grandes grupos económicos, as grandes empresas, os profissionais altissimamente remunerados… Na «economia paralela», incluem-se a economia subterrânea ou mercado negro, a economia informal (actividades diversas legítimas, exercidas mais ou menos à margem da lei), todas as empresas, instiuições e outras entidades contumazes na fuga à lei, nomeadamente fiscal, laboral e da segurança social. Nas «classes médias» ascendentes incluem-se as famílias e cidadãos cujos rendimentos são claramente superiores à média e não foram afectados pela crise. Nas «classes médias» descendentes, ou empobrecidas, incluem-se as famílias e cidadãos cujos rendimentos vêm baixando significativamente. No lastro popular incluem-se todas as famílias e cidadãos de baixos rendimentos que lutam duramente pela subsistência, procurando a autonomia possível. No povo pobre incluem-se as pessoas e famílias em situação de pobreza, tradicional ou «nova», exposta ou «envergonhada» e com mais ou menos exclusão social.
