Estudo sobre arte xávega vence prémio Octávio Lixa Filgueiras

O estudo sobre arte xávega no centro do país, de Francisco Oneto Nunes, venceu a primeira edição do prémio do Museu Marítimo de Ílhavo.

“Hoje por mim, amanhã por ti – A arte xávega no litoral central português”, obra de investigação que é a dissertação de doutoramento de Francisco Oneto Nunes, professor do ISCTE (Lisboa), especialista em antropologia marítima e em antropologia das pescas, venceu o Prémio de Estudos em Cultura do Mar Octávio Lixa Filgueiras, instituído pelo Museu Marítimo de Ílhavo e pela Câmara Municipal de Ílhavo, cuja entrega do prémio ocorreu no sábado passado, no Museu Marítimo de Ílhavo, no âmbito das comemorações do Dia Nacional do Mar.

Este trabalho de investigação de Francisco Oneto Nunes, que tem ascendência em Pardilhó (Estarreja) versa as comunidades que se dedicam à pesca com arte da xávega em diversos pontos do litoral centro de Portugal, nomeadamente em Esmoriz.

Referindo-se à obra vencedora, diretor do Museu Marítimo de Ílhavo, Álvaro Garrido, considera ser “um trabalho magnífico sobre várias comunidades piscatórias do litoral central português que usaram, e algumas ainda usam, a arte xávega. É um trabalho que lança este prémio, o qual foi muito acolhido e exaltadamente recebido na comunidade universitária, científica, museológica. É um prémio muito importante para que o Museu prossiga a sua linha de programação cultural alicerçada em investigação sobre as culturas marítimas e muito ligada aos patrimónios da pesca”.

Nesta primeira edição, concorreram dez investigadores. Associado ao prémio há um montante de 4.000 euros, o que poderá explicar a boa aceitação junto de centros de investigação e museus. Álvaro Garrido realça que “este é um prémio que fazia falta em Portugal. Este prémio insere-se na forma que nós pretendemos que seja original de trabalhar a relação com o mar, que se procura no município de Ílhavo e no seu museu”.

O Prémio Octávio Lixa Filgueiras, que tem periodicidade bianual, distingue-se de outros prémios também relacionados com o mar, designadamente “o Prémio de Ciências do Mar D. Carlos, instituído pela Câmara Municipal de Cascais, que distingue sobretudo trabalhos na área do mar, mas que tem um perfil muito diferente deste. Há o Prémio Teixeira da Mota, da Academia de Marinha, que também se insere nesta área mas que tem uma natureza muito diferente. Para promover estudos em cultura do mar, com esta missão explícita, e nas ciências sociais de uma forma transversal evocando o patronato, ou seja, a herança intelectual do arquiteto Octávio Lixa Filgueiras, com ligação ao seu espólio e a uma temática voltada para os estudos dos patrimónios marítimo-sociais não havia rigorosamente nada em Portugal”, afirma Álvaro Garrido, que conclui, sublinhando que a criação deste “foi uma notícia importante que o Museu Marítimo de Ílhavo deu ao país, à sociedade portuguesa, neste ano em que celebra os seus 75 anos”.

Cardoso Ferreira