O antigo palacete do Visconde de Valdemouro, situado na Rua José Estevão (antiga “rua larga”), n.º 50, onde funcionou o Centro de Ação Pastoral da Diocese de Aveiro, possui tetos decorados com artísticos estuques.
Motivos florais, desenhos geométricos e até figuras humanas, são os temas principais esculpidos nos estuques. Em cada sala há um desenho exclusivo, que não se repete nas outras divisões, facto que enriquece ainda mais esta “coleção” de estuques artísticos.
O palacete possui uma escadaria monumental e paredes pintadas a imitar mármores de tons rosa e azuis. A construção é, de acordo com o historiador aveirense Amaro Neves, “dos princípios do último terço do século XIX”, apresentando “boa traça e melhor lavrado, das mais requintadas casas da cidade deste tempo, em boa pedraria de Ançã”. Ainda no seu livro “Aveiro – História e Arte”, Amaro Neves refere os tetos em estuque, já com tendência “Arte Nova”, realçando que “dada a qualidade do imóvel, foi este escolhido para receber honrosas visitas da cidade, entre elas o Presidente da República, marechal Carmona, e o Cardeal de Lisboa, M. Gonçalves Cerejeira (1941)”. O palacete é um dos 120 imóveis incluídos no Mapa de Arquitetura de Aveiro.
O palacete foi deixado por José Maria Branco de Melo como herança do seu filho “perfilhado” Alfredo Pereira da Luz, nascido na Vera Cruz, em 1888, que, por sua vez, o doou à Diocese de Aveiro, por testamento de 1969.
A fachada principal está virada para a Rua José Estevão, mas há entradas pela Travessa dos Ourives e pela Rua Marques Gomes. Nas traseiras, há um pátio interior, com um portão em ferro trabalhado.
Cardoso Ferreira
