Não queria. Não devia. Sobretudo não podia. Mas agora completou-se o ciclo profético da não-perfeição. Contudo, há leituras felizes feitas pelo lado avesso. São agora sete numa contagem pessoal. Primeiro foi o P.; segundo, o R.; terceiros ex-aequo, o C. e o L., neste caso contam-se dois; seguiu-se, o quinto, o F.; sucedeu-lhe o sexto, M; e agora, o silêncio e a notícia dada em “terceira mão”, anuncia o sétimo, o B. Não posso partilhar a boa nova com ninguém, este parto é só meu. Tenho de dizer “EU” na comunhão e na solidão. Os sete selos se abriram, com sabor apocalíptico, quer dizer, apenas, revelador. Mesmo que eu não queira acreditar; vai haver o sétimo, pior, o sétimo é infinito.
Todos assumiram o “Não-Sacerdócio”, com o ónus da respectiva promoção ao estado laical, na famosa assunção boffiana, sem ser proscrito ad intra. É com sangue – podeis beber o cálice… – que este artigo deveria ser escrito; não para “partir a lou-ça”; não para fazer “limpeza de balneário”; não para sublimar “traumas e complexos”; mas para compreen-der que tudo faz parte de um perigoso processo em hetero-gestão. Eu não estou perdido, sem presunção de orgulho, porém, sofro dentro da interpretação que me é exigida, num horizonte por mim querido. O meu horizonte é a “longo prazo”, onde não têm lugar palavras como “nunca” e “sempre”. Ser padre cada dia, isso me basta em primeiro, só depois a graça me alimenta. O celibato é uma graça especial. É impossível manter-se nele sem o auxílio especial de Deus. Nas palavras de Dietrich Bonhoëffer: “É uma graça cara”. Mas o celibato está em função do ser padre; e o ser padre, não im-plica, ontologicamente, o ser celibatário. Não invoquem a Escritura e a Tradição, porque, então, sujeitam-se a cometer suicídio intelectual.
Os SETE, criptografados o suficiente, são para mim, assumo por conta e risco, sinal de uma mudança que muitos teimam em “não ver” e que outros, insensatamente, não querem nem sequer “pensar”. O “fazer” fica para o juízo final. O desajuste exige de nós todos um reajuste! Estes meus condiscípulos, graças a alguns deles, sou o padre que sou, assumiram, corajosamente, o seu “Não-sacerdócio ministerial”. Acredito que aprenderam junto de Jesus na Cruz, em silêncio e apa-rentemente em abandono, o sentido do fracasso. Aprenderemos nós com eles – diria Martin Buber – “que o êxito não é um dos nomes de Deus”. Deus chama-se: misericórdia; fidelidade; libertação; alegria e sentido de humor; humildade; desejo; e amor (parafraseando alguém admirado, um destes engana, mas não sei qual). Não se chama: disciplinarmente celibato; carreirismo; status quo; medo (sobretudo da mulher); consumo; dinheiro; e êxito. Que no fracas-so está a semente da Ressurreição. Obrigado por esse alerta vosso; é que às vezes eu ando distraído do essencial!
Agora sinto que essa Vocação celibatária deve ser entendida como piada, humana e cósmica, no sentido irónico. Por mais contraditório que seja, ao “celibato” eu aplicaria um critério de “eco-eficiência”, a ideia de produzir mais valor com o menos gasto de material e menos excedente. O critério de “eco-eficiência” é produzir um efeito o menos prejudicial possível, já que não há como ser totalmente bom. Ser totalmente “bom” significa fazer-ser, com base no princípio do lixo zero. Fazer-ser “menos mal”, equivale a fazer o seu melhor. O celibato produz muito lixo (não escrevi que o celibato é lixo). Vamos reconhecer e dar espaço a uma liberdade libertadora e deixar o voluntariamente imposto (e não aceite, no corpo). Se resistiu até este ponto “G”, (des) graça. Não perca os próximos argumentos!
