Eu vou à Missa ao Domingo

A Eucaristia no Meu Coração Também vou à semana; vou todos os dias.

Há mais de trinta anos, recebi a ordenação sacerdotal; na Última Ceia, recebi uma Ordem: “fazei isto”. Independentemente das capacidades, eu sei, eu acredito, que a acção é do Espírito, quando O invoco para que o pão e o vinho “se convertam, para nós, no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Depois, tudo é mistério da fé!

Sei que, ao presidir à Celebração da Santa Ceia, com a frequência diária, me posso tornar rotineiro, repetindo gestos e palavras, e estou prevenido para o risco que corro; por outro lado, ao fazê-lo “em memória” e repetindo palavras de tanta profundidade, significado e eficácia sacramentais, como as do seu Autor, isso me faz pequeno, indigno, às vezes interiormente atrapalhado; mas confiante e atrevido. Porque acredito.

Mas vou à missa ao Domingo; não tal e qual como vou nos outros dias; porque é Domingo; é dia da Festa; é a novidade repetida da Ressurreição; é a alegria sentida da Vida sempre nova; é a reunião dos irmãos; é o mandato repetido do “ide”, carregado de compromissos, ali tornados mais fortes e revitalizados, para poder melhor ver e servir.

A Eucaristia é o ponto do encontro privilegiado; tem outro sabor a multidão, que é assembleia convocada; é mais forte e comprometedora a Palavra ouvida com todos os outros; a homilia ou o pequeno comentário que faço é para mim, em primeiro lugar, e sempre; nunca o senti doutro modo; a Comunhão eucarística é o coroar da misericórdia d’Ele, que diz “uma palavra” e ousa entrar em minha casa; Ele e toda a gente: os que estão ali e os outros todos, sobretudo aqueles com quem se misturou e que, em Mateus 25, se encontram, com clareza, bem identificados.

Mistério de Fé e memorial tão profundo, como a Eucaristia é, e a sua celebração, gostaria que, por vezes, o relógio da torre e o do pulso não andassem tão depressa; mas desejava, profundamente, isso sim, que o relógio psicológico me deixasse mais tempo e mais paz para saborear tudo com mais serenidade e, dali, pudesse levar a força que só Cristo é. E, depois, os outros também me ajudam muito: quando proclamam bem a Palavra; quando cantam como quem reza; quando partilham gestos, posições, palavras e silêncios; quando preparam o templo, o altar, tudo quanto entra na Festa e ajuda a senti-la e a vivê-la melhor!

Da Eucaristia levo esse contacto tão verdadeiro – eu creio! – com Cristo, que me alimenta e, na Sua Bondade, me ajuda a levar a vida como um dom partilhado na alegria, apesar de tudo o que em mim é humano. Com Ele, neste mistério tão real e próximo, tudo vai melhor; o que posso e faço ali e n’Ele encontra apoio, força, enquadramento e tudo o mais que explica, garante e vale uma vida de padre.

P.e João Gonçalves