Este gritante desafio de Sua Santidade João Paulo II a toda a Europa, convidando-a a ser fiel às suas raízes cristãs, foi o mote do VI Congresso Catolicos y Vida Pública, realizado em Madrid, no último fim de semana. Um Congresso que reuniu eurodeputados, magistrados, profissões liberais, professores e alunos, gente de estruturas civis e eclesiais, animados por cerca de trinta palestrantes estrangeiros, a par de largas dezenas deles espanhóis.
Foram à volta de mil os participantes que acudiram ao convite da Fundacion Universidad de San Pablo, convictos de que a vida pública não se reduz ao âmbito do político, mas passa por todas as formas de vida e ocupação, desde a dona de casa ao estudante, do operário ao empresário, do académico ao jornalista… Desta vez, o motivo de conferências e mesas redondas, de comunicações e debates, foi a recente assinatura da Constituição Europeia e o subsequente processo de ratificação da mesma pelos diversos Estados membros.
O desenrolar do Congresso contemplou: a leitura da história, para consciencializar a matriz cristã da Europa; as perspectivas ideológicas e os valores que desenham o perfil europeu; o significado jurídico estruturante da futura Europa, no documento; o desenho da integração das diversidades étnicas e culturais em perspectiva enriquecedora; as possibilidades de intervenção das forças da sociedade civil – incluídas as Igrejas – na definição e progresso da EU; a preocupação – o dilema! – do acolhimento e da preservação da identidade, face a um Islão silencioso invasor; a aceitação institucional de um estado islâmico (a Turquia), num quadro de neutralidade institucional…
É redundante afirmar que as discussões foram muito acaloradas. E, desde um optimista incondicional “sim” ao documento, até ao rotundo “não”, foi possível exprimir todas as opiniões e dar delas todas as razões. É que, se a iniciativa tem como objectivo fundamental fornecer critérios de uma leitura cristã dos acontecimentos, para encorajar tomadas de posição que marquem o agir cristão, não deixa de ser um espaço de confronto, na busca das razões mais profundas. O evento tem o mérito de agitar as consciências, de despertar do sono, de entusiasmar na participação, de dar pistas de exercício activo de cidadania, a quantos nele participam.
A salientar ainda duas notas relevantes. Primeiro: Não há ali respeitos humanos na afirmação explícita das convicções cristãs, não há a mínima dificuldade em falar de Jesus Cristo, tomar como guia o Evangelho, assumir a luz da palavra do Santo Padre. Segundo: O acontecimento não se apresenta como realização envergonhada, intra-muros; projecta-se na cena pública, socorre-se dos meios para impacto no exterior.
Creio bem que seria útil aprendermos a conjugar esforços, os esforços de Associações, Fundações, Movimentos… da Igreja, no sentido de provocarmos também factos criadores de opinião, a propósito de momentos, acontecimentos e perspectivas marcantes na vida do País e da União.
Mais informações poderão ser obtidas consultando: www.ceu.es/congreso.
Q.S.
