Evangelho deve resgatar Homem “distraído”

Bento XVI pediu “entusiasmo e coragem” ao Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, para anunciar Cristo a uma sociedade secularizada.

Bento XVI defendeu na segunda-feira, 30 de Maio, a necessidade de uma nova evangelização, que resgate a vida cristã da “crise” e que volte a tocar o coração do homem actual, “tantas vezes distraído e insensível”.

Numa audiência concedida ao Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, reunido esta semana em assembleia plenária no Vaticano, o Papa recordou que a secularização deixou “uma herança pesada nos países de tradição cristã”.

“Nos séculos passados, ainda era possível encontrar um sentido cristão geral que unificava o sentir de gerações inteiras, desenvolvidas à sombra da fé que tinha marcado a cultura”, apontou Bento XVI, lamentando um cristianismo afectado pelo “drama da fragmentariedade”, algo que o impede, neste momento, de se afirmar como uma “referência unificadora”.

Contra a indiferença

Criado em Junho do ano passado, por ocasião da solenidade de São Pedro e São Paulo, o Conselho Pontifício para a Nova Evangelização tem como desafio responder a um tempo “marcado por uma indiferença generalizada em relação à própria fé cristã, que se tem visto muitas vezes marginalizada da vida pública”.

“Ser cristão não é uma espécie de roupagem que se usa na vida privada ou em ocasiões especiais, mas sim algo vivo e universal, capaz de assumir tudo o que de bom existe na modernidade”, avisou o Papa, para quem só a Palavra de Deus poderá “abrir a humanidade a um futuro de esperança forte e segura”.

A todos os cardeais, bispos e sacerdotes que vão participar no encontro daquele dicastério, o Papa pede por isso “a urgência de um anúncio renovado”, estendida sobretudo às “novas gerações”. Desafia-os ainda, através de uma “credibilidade genuína”, a reorientarem o estilo de vida dos crentes, recordando as palavras do antigo Papa Paulo VI. Ele defendia um testemunho de vida baseado na “fidelidade a Jesus, na pobreza, no desapego, na liberdade diante dos poderes deste mundo, ou seja, baseado na santidade”, afirmou o actual Papa.

Esta missão, no entender de Bento XVI, poderá parecer “algo mais complexa do que no passado”, mas, “à imagem dos primeiros apóstolos, deverá manter o mesmo entusiasmo e coragem”.

CV / Ecclesia