Experiência Pessoal da Misericórdia

Catequeses Quaresmais Caminham juntos. Santo Agostinho dizia que se Deus “foi grande em criar, maior foi ainda em perdoar”. Ele próprio tinha experimentado esse amor misericordioso. Misericórdia e amor caminham juntos. Um não existe sem o outro. “O amor que não se revela como misericórdia e não actua como tal não é amor de Deus”, disse D. António Marcelino.

Expressão visível. Jesus era a expressão visível do amor misericordioso do Pai e como tal se apresentou para que O pudessem aceitar como bom e como uma presença continuada de amor, na história dos homens e dos povos. Já assim havia sido no Antigo Testamento, com profetas e outros mediadores. A história repete-se com os muitos pecadores que se cruzam nos caminhos de Jesus: Zaqueu, a Samaritana, Madalena, Pedro…

Missão de misericórdia. “A história da salvação é a história do amor misericordioso que Deus quer realizar e realiza na vida concreta de uma pessoa ou de um povo”. Deus “não quer que o pecador se condene, mas que se converta e viva”. A missão da Igreja será sempre a revelação da misericórdia de Deus, dando dela testemunho, professando-a em primeiro lugar como verdade que salva e necessária para uma vida coerente com a fé, procurando introduzi-la e encarna-loa na vida de cada cristão e de todos os homens de boa vontade.

A falta que ela nos faz. A misericórdia divina estendida à humanidade, se repercutir nos seres humanos, transforma a vida. Aliás, o que se verifica é a ausência de misericórdia nas relações humanas. “Nos casais, a vida está cada vez mais difícil porque não há perdão. O mesmo se passa entre filhos e pais”. Ou na política. No futebol. E noutros âmbitos.

Acessível a todos. A Parábola do Filho Pródigo (ou do “Pai Misericordioso”, ou ainda do “Irmão Invejoso”) foi o texto escolhido para meditar sobre o convite de Jesus a aceitar a misericórdia de Deus, convite acessível a todos. “Será que não tenho nada de filho pródigo, de nostalgia do que perdi, de apelo profundo ao retorno à casa paterna? Será que não tenho nada de irmão mais velho, que se escandaliza com o gesto esbanjador de amor e de alegria só porque o pródigo regressa? Será que nunca senti a alegria única do amor misericordioso de Deus, a cobrir e a apagar os traços da minha pobreza, dando-me coragem para ir mais além sem medo?”

Oração à Divina Misericórdia. A terceira catequese quaresmal terminou com uma oração à Divina Misericórdia, escrita por João Paulo II. O Bispo de Aveiro confessou que a rezava todos os dias (reproduz-se a oração na última página desta edição).

João Paulo II dedicou uma encíclica a misericórdia do Pai (“Dives in Misericordia”, “Rico em Misericórdia”) e instituiu o Domingo a seguir Páscoa (Pascoela) como Festa da Divina Misericórdia. O Papa Wojtyla morreu no dia 2 de Abril de 2005, às 21h37, quando terminava o sábado a seguir à Páscoa e se entrava no Domingo da Divina Misericórdia.

Próxima catequese: Segunda-feira, dia 27 de Março, no Salão de S. Domingos, junto à Sé de Aveiro. Tema: “Projecto de unidade ao alcance de todos”.