Exposição de fotografia e poesia

“O destino do Peixe” no MMI No Museu Marítimo de Ílhavo (MMI) está patente ao público, até 20 de Julho, a exposição intitulada “O destino do peixe”, da autoria das francesas Isabelle Lebastard (poemas) e Brigitte d’Ozouville, mostra surgida em complementaridade ao livro “Destino de Peixe”, publicado pelas Edições Horizonte.

Presente na inauguração da exposição, Brigitte d’Ozouville sublinhou que o ainda pouco conhecimento que tem da realidade piscatória portuguesa não lhe permitiu desenvolver um trabalho antropológico mais profundo sobre as comunidades piscatórias que fotografou, pelo que o trabalho agora apresentado é mais de índole documental e artístico, realçado ainda mais pelo contributo poético de Isabelle Lebastard.

No entanto, tanto o biólogo Mário Ruivo, considerado o melhor investigador marinho português da actualidade, que assina o texto de apresentação da exposição, como Álvaro Garrido, director do MMI e investigador, são unânimes em considerar que esta exposição é, apesar de pequena no número de imagens, uma referência na forma como capta imagens, na qual o homem não está presente directamente em nenhuma foto mas onde se sente sempre a sua presença, e também porque transmite uma visão que alerta para as actuais problemáticas da pesca, das comunidades pesqueiras e da sobrevivência das espécies piscícolas.

Mário Ruivo escreveu que esta exposição é “um olhar que é ao mesmo tempo poético e antropológico, pictural e sentimental. Não um simples retrato, afinal, mas uma procura sensível deste país e da memória histórica da sua atitude em face do «Mar – Oceano», em contraponto com o destino do peixe e o destino do homem que se cruzam…”

Brigitte d’Ozouville vive em Lisboa desde 2002. Estudou etnologia e antropologia em França e nos Estados Unidos da América. Ensinou em França, no Chile e em vários países do Pacífico. A fotografia é uma das formas que utiliza e concilia com a investigação científica que desenvolve.

Isabelle Lebastard vive actualmente em Sofia, na Bulgária. É formada em ciências naturais e ensinou biologia em França, Costa do Marfim e em Lisboa (entre 2000 e 2006, no Liceu Francês). A poesia e a literatura são outras áreas onde intervém, tendo publicado diversos trabalhos, onde se destaca o livro intitulado “Figas à morte”, com ilustrações do artista francês residente em Lisboa, Alain Corbel, editado pela Livraria Francesa.