Malangatana no Museu de Aveiro No Museu de Aveiro está patente ao público, até ao dia 7 de Janeiro de 2007, a exposição de pintura intitulada “Desenhos de Prisão”, do artista moçambicano Malangatana, inserida no programa da “Semana da CPLP”, organizada pela Associação Académica de Universidade de Aveiro e integrada nas comemorações do décimo aniversário da constituição da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Esta exposição mostra 43 “desenhos de prisão”, que retratam os momentos vividos pelo pintor, pelos presos e suas famílias. A exposição revela a grandeza do artista que, apesar de estar em cativeiro e de dispor de escassos materiais para desenvolver o seu trabalho, conseguiu transferir para o papel o mundo que o rodeava. Apesar de preso, Malangatana afirmou que nunca sentiu rancor que perdurasse durante esses dois anos de cativeiro, porque, disse, “o amor vive em mim”.
Na cerimónia de abertura da exposição, a Associação Académica da Universidade de Aveiro atribuiu a Malangatana o título de Sócio Honorário da Associação.
Malangatana (Valente Ngwenya) nasceu em Matalana, a 6 de Junho de 1936. Estudou na Escola da Missão Suíça em Matalana e na Escola da Missão Católica de Ntsindya, em Bulaze. Depois de obter o diploma da terceira classe rudimentar, foi para Lourenço Marques (actual Maputo). Em 1958 frequentou o Núcleo de Arte, onde conheceu o pintor Zé Júlio, que o apoiou. Em 1961, realizou a primeira exposição individual. Dez anos mais tarde, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em gravura e cerâmica. Entre as homenagens recebidas, tem a Medalha Nachingwea, pela contribuição dada à cultura de Moçambique, e possui o Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique.
Acusado de ligação à FRELIMO, foi preso pela polícia colonial, aquando da leva de prisões que levou à cadeia, entre outros, os poetas José Craveirinha e Rui Nogar. Ao contrário destes, não se provou o envolvimento de Malangatana nesse movimento de libertação, pelo que o artista foi absolvido e libertado, após quase dois anos de cativeiro, período durante o qual executou os trabalhos agora em exposição.
