Na Sala de Exposições Hélène de Beauvoir da Biblioteca da Universidade de Aveiro (UA) está patente ao público a exposição “Os Irmãos Grimm -Vida e Obra”, que assinala os duzentos anos da publicação do primeiro volume dos “Contos para as Crianças e a Família”, a famosa coleção de contos dos Irmãos Grimm, que inclui “histórias” como “Cinderela”, “A Bela Adormecida”, a “Branca de Neve” e o “Príncipe Sapo”.
A exposição é organizada pelos Brüder Grimm-Museum (Museu dos Irmãos Grimm) e Brüder Grimm-Gesellschaft (Sociedade dos Irmãos Grimm), em Kassel (Alemanha), e conta com o patrocínio da Associação Portuguesa de Estudos Germanísticos, do Centro de Investigação em Estudos Germanísticos, da Embaixada da Alemanha, do Goethe-Institut, da Fundação Marion Ehrhardt e da Universidade de Aveiro.
Integrada no “Festival das Letras 2012”, dinamizado pelo Departamento de Línguas e Culturas, a exposição procura retratar o percurso de vida pessoal de Jacob e Wilhelm Grimm, ilustrar a sua intervenção política, a atividade bibliotecária e académica, bem como o trabalho científico que desenvolveram, dando ainda testemunho da irradiação internacional da sua obra, muito especialmente da receção que teve em Portugal.
Nos anos 30 do século XIX surgiram as primeiras traduções portuguesas de contos de Grimm e, na viragem do século, os “Contos para as Crianças e para a Família” já pertenciam ao cânone da literatura para a infância em Portugal.
O espectro da receção internacional da obra dos Grimm excede, contudo, em muito, a tradução e edição de contos para leitura de crianças. Com a investigação pioneira da literatura e tradições populares numa via de rigor filológico, Jacob e Wilhelm Grimm tornaram-se figuras tutelares do movimento etnográfico europeu, e a sua coleção de contos constituiu-se como ponto de referência de muitos trabalhos congéneres realizados um pouco por toda a Europa. Portugal não constituiu exceção. Os fundadores da etnografia portuguesa, entre eles, Adolfo Coelho e Teófilo Braga, reportam-se repetidamente aos dois filólogos alemães, não apenas nas suas recolhas de contos populares portugueses, como em muitos outros trabalhos, em áreas tão diversas como as da literatura tradicional, da mitologia popular, da história da língua, ou mesmo do direito.
