Expressão de reverência e oração

O Leitor Pergunta – Por que é que em algumas celebraçõers se usa incenso? O uso do incenso (puro ou resultando de uma mistura de resinas de várias árvores) é comum a quase todas as religiões, embora com finalidades diferentes. No geral, podemos dizer que serve para elevar o espírito, criar recolhimento, purificar e, nos tempos antigos, tinha certamente uma função aromática. Perfumava o ambiente. Hoje, nas religiões orientais, serve para ajudar à meditação individual. Enquanto, no cristianismo e no judaísmo, o incenso tem uso comunitário e serve mostrar reverência.

Os primeiros cristãos foram muito renitentes em usar incenso, mesmo nas celebrações litúrgicas, porque havia o costume de incensar o imperador romano. Era uma forma de reconhecer a divindade do imperador – coisa a que os cristãos se recusavam, ainda que isso lhes custasse a vida.

O incenso está muito presente a Bíblia, ao ponto de se darem instruções precisas para o seu fabrico: “O Senhor disse a Moisés: Escolhe ingredientes em partes iguais, bálsamo, unha aromática, gálbano, diversos ingredientes e incenso puro”, com uma advertência: “Quem dela [mistura] fizer uma imitação para aspirar o aroma, será excluído do seu povo” (Ex 30,34.36). Ou seja, o incenso tem uso exclusivo no culto a Deus. E o Salmo 140 deixou-nos aquela que é a frase mais citada a propósito do seu uso: “Suba junto de ti a minha oração como incenso…”

Por meio do profeta Isaías, Deus reprova o uso do incenso, quando o culto é vazio: “Não me ofereçais dons inúteis, o incenso é-me abominável… Abomino as vossas celebrações… É que as vossas mãos estão cheias de sangue” (Is 1,13-15).

Como expressão de reverência e oração, os cristãos usam o incenso em ocasiões especiais. Na liturgia eucarística, faz-se a incensação do altar, da cruz, do evangeliário, do presidente da celebração, dos ministros e do povo. Também se incensa o SS. Sacramento, na exposição e na bênção. Na celebração de Laudes e Vésperas (componentes da Liturgia das Horas) incensa-se o altar durante o cântico evangélico, respectivamente, o Cântico de Zacarias e o do Magnificat. Na liturgia exequial incensa-se o defunto. Nas procissões e em outros ritos também se pode fazer a incensação.

Deolinda Serralheiro/J.P.F