Face à «Troika» – três posições

Questões Sociais Os portugueses acham-se bastante divididos face ao «Memorando» da «Troika». Realço apenas três posições: O rigorismo absoluto; o rigor, com horizontes; e a relativização do rigor. Os defensores da primeira posição entendem que deve ser cumprido o que se encontra no «Memorando», quaisquer que sejam as dificuldades e as consequências negativas; pensam que as hesitações prejudicam a credibilidade do país, e aceleram o caminho para a catástrofe. Os defensores do rigor, com horizontes, também entendem que o imperativo do rigor é absoluto, mas sem prejuízo da abertura de horizontes nas relações com a «Troika» e no interior do país: Nas relações com a «Troika» consideram necessária a revisão do «Memorando», a fim de se tornar menos desfavorável; e, no interior do pais, entendem que deve ser atribuída mais prioridade, nomeadamente, ao crescimento económico e à protecção social. Os defensores da relativização do rigor entendem que ele nunca deveria sacrificar determinados objectivos nacionais, quaisquer que fossem as consequências do endividamento

Qual destas três posições estará a ser tomada pelo Governo. A crítica mais extremada afirma que ele se limita ao rigor absolutizado, submetendo-se excessivamente à «Troika». Este rigor absolutizado é compreensível, na fase actual, porque favorece a credibilidade externa do país; mas nada nos garante que o Governo se tenha limitado a ele. Pode acontecer que esteja a preparar a revisão do «Memorando», debaixo de uma confidencialidade bem compreensível.

Em contrapartida, configura-se incompreensível que, relativamente ao crescimento económico e à protecção social, não adopte, e não publicite, medidas que parecem óbvias e pouco dispendiosas, respeitantes a comportamentos, relações e congregação de esforços. Na esfera económica, realçam-se, entre tais medidas, por exemplo: Maior aproximação da realidade empresarial; procura de compreensão e de cooperação mútuas; cooperação específica no pagamento de dívidas do Estado às empresas, e vice-versa; mais facilitação do comércio externo, através de parceiras diversas… Na perspectiva social, realçam-se, por exemplo: A cooperação com o voluntariado social de proximidade; a articulação deste com os serviços profissionalizados de acção social; a difusão e apreciação partilhada de estatísticas sobre os casos e problemas sociais sem solução; a mobilização a favor da procura de soluções…