Falhanço da moeda única compromete futuro, dizem bispos

Comissão dos Episcopados Católicos apela a ação comum de todos os Estados-membros.

A Comissão dos Episcopados Católicos da Comunidade Europeia (COMECE) considera no seu mais recente documento que o “colapso” da zona Euro colocaria em causa o futuro da União, com consequências “consideráveis” para todos os Estados-membros.

O alerta é deixado pelo vice-presidente do organismo, o cardeal alemão Reinhard Marx, numa altura em que se verifica um corte no ‘rating’ da maioria dos países que aderiram à moeda única. A agência de notação financeira Standard & Poor’s (EUA) cortou o ‘rating’ máximo de França e Áustria, deixando de fora a Alemanha, a Holanda e o Luxemburgo. Itália, Portugal (de BBB- para BB), Espanha, Malta, Eslovénia, Eslováquia e Chipre também viram as suas notas reduzidas.

No documento «Uma Comunidade Europeia de solidariedade e responsabilidade», divulgado quinta-feira, 12 de janeiro, a COMECE assinala que se vivem “tempos de inquietação” e que a União atravessa “a maior prova” desde a sua fundação.

“Resta saber em que direção vai evoluir a União Europeia e se poderá responder com solidariedade e responsabilidade aos desafios que a esperam”, diz o cardeal Marx, presidente da Comissão Social da COMECE, na apresentação do novo documento.

Este responsável sublinha as “dúvidas que assaltam” os mercados internacionais quanto à solvência de alguns Estados da zona euro e ao peso das dívidas públicas face ao “desempenho económico” desses países.

“Aquilo que, no início, dizia respeito a alguns Estados é agora um assunto de quase todos”, refere, desejando uma “ação comum e decidida” para evitar que se coloquem em causa “os fundamentos da ordem de paz na Europa”.

Para D. Reinhard Marx, arcebispo de Munique, “face à atual crise da Europa” é importante que sejam assegurados “os fundamentos culturais de economia social de mercado”, por ser mais do que um “modelo económico”.

Já o presidente da COMECE, D. Adrianus van Luyn, bispo emérito de Roterdão (Holanda), adianta que os episcopados católicos se sentem “estreitamente ligados ao processo de unificação da Europa” e que, por isso, consideram necessário que o mesmo seja explicado aos cidadãos.

Ecclesia / C.V.