É evidente que faltam empregos; as taxas de desemprego atestam-no claramente e, se pensarmos em empregos de qualidade, a falta apresenta-se ainda mais grave. Ao mesmo tempo, algumas empresas e outras entidades empregadoras queixam-se da falta de trabalhadores para os seus postos de trabalho. Este desajustamento entre a procura e a oferta de emprego é clássico, e faz parte integrante da história da economia; para ele contribuem inúmeros factores relativos, por exemplo, as qualificações profissionais, remunerações, outras condições de trabalho, distâncias geográficas entre as residências dos trabalhadores e as localizações dos postos de trabalho….
A situação actual acha-se fortemente agravada em consequência, especialmente, de três factores: a competitividade económica desenfreada, pouco favorável à criação de «bons empregos» em número suficiente; o crescimento das aspirações laborais acima da evolução da economia; e a insuficiência de diálogo entre as realidades em presença – nomeadamente entre os trabalhadores e os empregadores, entre a escola e a economia, entre o Estado e os demais parceiros sociais, entre a acção social e a economia… Daqui tem resultado um ambiente de pessimismo generalizado sobre a possibilidade de solução dos problemas de desemprego. O pessimismo é perfeitamente compreensível, mas não se justifica rendermo-nos a ele porque existem realidades e possibilidades que apontam noutro sentido.
Uma realidade óbvia, e pouco reconhecida, consiste no facto de os trabalhadores, na sua grande maioria, se encontrarem empregados; e, dentro destes, é provável que a maioria se encontre em empregos relativamente bons. Também faz parte da realidade o facto de todos os dias se criarem novos empregos, embora não compensem os que se vão perdendo. Quanto a possibilidades para o futuro, deparam-se-nos várias tendências favoráveis, tais como: A elevação das qualificações; novos dinamismos empresariais e a persistência dos tradicionais; novos mercados abertos pela globalização, apesar do reforço da competitividade… Além destas perspectivas favoráveis, existem várias outras, com realce para as seguintes: O sentido de responsabilidade observado em muitos trabalhadores e empresários, mesmo entre os mais jovens; as potencialidades do diálogo social, da negociação colectiva e da concertação no mundo laboral e noutros domínios… A partir daqui podem surgir perspectivas muito animadoras, embora exijam um esforço aturado.
