Famílias interpeladas a dar os dons recebidos

A família enquanto “formadora de valores humanos e cristãos” esteve em foco nas XXI Jornadas Nacionais de Pastoral Familiar. Ecos do encontro

No fim-de-semana, de 16 a 18 de Outubro, decorreram as XXI Jornadas Nacionais da Pastoral Familiar, em Fátima, no Seminário do Verbo Divino, promovidas pela Comissão Episcopal do Laicado e Família (CELF) sob a temática geral «Família formadora de valores humanos e cristãos».

Com uma participação numerosa e representativa dos Secretariados Diocesanos, dos Movimentos de Espiritualidade Conjugal, de Formação e de Apostolado Familiar, é de sublinhar a presença sempre maior de jovens famílias, que este ano puderam contar com um serviço de acolhimento e programa de actividades próprio para os mais novos.

Estas jornadas, no seguimento das pegadas do Encontro Mundial das Famílias realizado em Janeiro passado na Cidade do México, reflectiram a actualidade e a preocupação da Igreja em querer chamar a atenção das famílias cristãs para a sua missão de aprendizes de valores humanos e cristãos, para o lugar de insubstituível responsabilidade formadora e para a importância de ser primeira comunidade humanizadora e socializadora pelo anúncio do Evangelho do Amor e da Vida, num mundo plural, onde é chamada a ser testemunho alegre, solidário e lugar de esperança na sociedade hodierna.

Na mensagem da Comissão Epsicopal, D. Ilídio Leandro, Bispo de Viseu, partindo da dimensão natural da família, sublinhou o desafio de valorizar e qualificar a missão da família cristã no seu carácter dinâmico de reciprocidade com e na sociedade, tornando-se o lugar feliz da realização integral de cada pessoa.

No capítulo das reflexões de fundo destacaram-se as comunicações de Mons. Victor Feytor Pinto, sobre ”os valores e a cultura actual”, e do jesuíta P.e Carlos Carneiro, sobre “a família cristã na sociedade actual e na construção da Igreja”. O primeiro apresentou, como ponto de partida, casos paradigmáticos na família que ‘obrigam’ a Igreja a reflectir e agir, sublinhando a influência da cultura actual nos ambientes da família para caracterizar um quadro humano-cristão de mudança que desafia a uma pastoral familiar de proximidade. O segundo, reflectindo o lugar da família na Igreja e na sociedade, afirmou que aquilo que é pedido hoje à família tem muito a ver com aquilo que lhe foi e é dado. A educação para os valores humanos e cristãos e a sua transmissão são desafio, na família cristã, a uma experiência criativa e criadora, por isso, empenhativa.

Pastoral de inclusão

Neste sentido, a pastoral familiar é uma pastoral de inclusão, nunca de exclusão. A sociedade e a família cristã pedem uma pastoral de proposta, de irradiação, não de imposição. Pedem a apresentação de modelos vivos que pela sua identidade e testemunho cativam, pela sua abertura e alegria, fidelidade e convicção são sinal do Amor. Um amor, assim, não obriga, porque é a gosto, por isso torna-se a forma mais livre e comprometida na construção da família cristã.

A família, mais do que ‘porto de abrigo’ ou ‘refúgio’, é ‘porto de partida’. O matrimónio cristão, sacramento do amor, é sacramento de missão. O casal e a família são enviados a anunciar o Evangelho do Amor e da Vida, preparado e celebrado, realizado e comunicado todos os dias da vida, em gestos e palavras, actualizadoras do “sim” em cada dia para todos os dias da vida.

A família cristã, na sua específica condição e nobre missão, sente-se agradecida e coerente no acolhimento dos dons recebidos, que não pode enterrar, antes exigem ser dados gratuita e generosamente através de um testemunho vivo e alegre. E famílias assim existem entre nós!

P.e Francisco Martins,

director do Secretariado Diocesano de Pastoral Familiar