Fátima em cinco pontos

Poço de Jacob – 80 Com a beatificação de João Paulo II mais se sublinhou o seu papel de Papa de Fátima. Ele próprio se sentiu inserido na Mensagem desde aquele dia 13 de Maio de 1981… e na Divina Misericórdia de Faustina Kowalska, cujo terço da misericórdia foi ensinado por Deus, num 13 de Setembro da década de 1930, na Polónia. João Paulo II morreu num primeiro sábado e na festa da Divina Misericórdia, pelo que a Polónia e Portugal deram, nele, um abraço de fé e de missão.

Não é dogma de fé uma aparição mariana. Também não traz novidades em relação ao Evangelho. Tudo foi dito na Palavra, que é o Filho de Deus. Mas, as mães não se cansam de dar conselhos, e Maria, enviada por Deus, veio à terra falar-nos do Evangelho que é o seu Filho. As aparições de Fátima foram preparadas como grande irrupção do divino para nos ajudar a viver o Evangelho, principalmente outras aparições marianas que se deram sobretudo em França: Rue du Bac, Pontmain, La Salette, Pellevoisin e Lourdes. Unindo geograficamente estes lugares num mapa, vemos que sobre a “filha predilecta da Igreja”, que é a França, Deus traçou um M de Maria.

Mas o ponto alto reservou-o para Portugal, fazendo deste país o “Altar do Mundo” e deixando uma mensagem que mudou os destinos dos homens. Os cinco pontos foram muito bem entendidos pelo episcopado português anterior à II Guerra Mundial, que, consagrando a nossa pátria ao Coração de Maria, livrou Portugal dos horrores da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Civil Espanhola.

A consagração que João Paulo II fez em 25 de Março de 1984 modificou a Europa, e impulsionou a mesma, em esperança, para o terceiro milénio. A Europa terá de passar por uma purificação, e daí a crise actual, que vai ser ultrapassada, sem dúvida, e nos vai deixar mais fortes e unidos, se a soubermos viver em sintonia com o Céu. Deus não dorme e repreende os que ama. Fátima, como momento alto da apresentação do Coração de Maria ao mundo, que mais não é que o próprio Jesus Cristo, que Maria serve continuamente, pode-se apresentar em cinco pontos. Cada um daria muitos e muitos artigos que nos orientam na Fé. Vamos enumerá-los, apenas, e, no próximo número, tecer algumas considerações sobre eles, tendo em conta que eles são apenas uma maneira de nos ajudara viver a única revelação válida que é a do Evangelho. O primeiro ponto é a Reparação. O segundo é a Conversão. O terceiro ponto é a Penitência. O quarto é a Oração. O quinto ponto é a Consagração.

Fátima começa com aparições mudas do Anjo em 1915. Tratou-se da aparição da selecção da porta-voz de Deus, que seria a Lúcia. Entre as meninas que viram a figura do Anjo no Céu, foi a que guardou segredo. O vidente verdadeiro busca calar e esconder-se… Depois, três aparições do Anjo em 1916, duas na Loca do Cabeço e uma no Poço do Arneiro, mais as aparições de Maria em 1917 na Cova da Iria, sendo que a de Agosto foi em 19 de Agosto, nos Valinhos. Uma sétima mais tarde, na já capelinha, com a Lúcia a caminho de Vila Nova de Gaia… Maria aparece a Jacinta na Igreja de Fátima para lhe falar dos mistérios do Rosário, aos pastorinhos doentes, na casa do Francisco, e a Jacinta, com mensagens importantes da moda, por exemplo, perto da Basílica da Estrela em Lisboa, onde está hoje o quarto da aparição e a cadeirinha onde Maria se sentou, segundo a Jacinta, e aparece no Hospital D.ª Estefânia, onde a pequenina morre. São, segundo o Sr. Cardeal Patriarca, Fátima em Lisboa… Finalmente, aparece em 1925, a Lúcia, em Pontevedra, ali na Galiza, e fala-lhe dos primeiros sábados. Ainda hoje o seu quarto é lugar de conversões, como aconteceu com muita gente das minhas paróquias… E aparece em Tuy, também em Espanha, em 1929, pedindo a consagração ao seu Coração, realizada de modo aceite pelo Céu, segundo a Lúcia, pelo Beato João Paulo II em 1984. Quando morre Lúcia, dois meses antes de João Paulo II, em 2005, o Cardeal de Lisboa disse: “Foi posto o ponto final à Mensagem de Fátima…” Vamos pensar nela, então, ao longo dos artigos deste mês. Queres vir comigo fazer esta caminhada apaixonante de Amor ao Coração de Maria?

P.e Vitor Espadilha