À Luz da Palavra DOMINGO XII DO TEMPO COMUM – ANO B
Job 38,1.8-11; Sal 106(107); 2 Cor 5,14-17; Mc 4,35-41.
O mar, na simbologia semítica, representa com frequência as forças do mal. Simboliza o caos, a norte, as trevas, a insegurança e tudo aquilo que é hostil ao ser humano. Comenta um autor que, na simbologia israelita, as ondas do mar são “como a boca aberta das profundidades, sempre disposta a engolir quanto nela cair”. É por isso que a Bíblia utiliza este simbolismo para manifestar a acção libertadora de Deus, e o seu poder sobre o mal. Só Deus pode fechar as portas do mar e travar a sua expansão (cf. Job 8,10). Só Ele tem dominio e poder sobre a tempestade que se levanta no meio do mar – assim ouvimos no salmo deste Domingo: “Ele transformou o temporal em brisa suave e as ondas do mar amainaram” (Sal 106, 29).
Também no Evangelho deste Domingo aparece o símbolo da tempestade no mar. Uma barca muito frágil, imagem da Igreja, é sacudida por uma forte tormenta, símbolo das perseguições que a Igreja sofria e também da luta de cada cristão perante as dificuldades e as tentações.
Jesus convida os seus discípulos a passar para a outra margem (cf. Mc 4,35), e a Igreja, entusiasmada, faz-se ao mar. Os discípulos desejam pôr a render os seus talentos, viver a sua vida a partir do Evangelho, dar o que receberam da parte do Senhor, anunciar o Reino como o seu Mestre. Porém, “soprou um vento de tempestade, que fez encapelar as ondas: subiam até aos céus, desciam até ao abismo, lutavam entre a vida e a morte” (Sal 106, 25-26). Por isso, sentiram medo e a sua fé frágil começou a vacilar.
Connosco acontece o mesmo. Os cristãos de hoje também crêem na mensagem do Evangelho, mas sentem medos que abafam a fé. Medo de situações pessoas perante as quais se sentem impotentes. Medo dos tempos que correm. E medo, também, porque não dizê-lo, da radicalidade que exige o Evangelho.
Mas a partir do medo e da falta de dé, os discípulos gritam: “Mestre, não Te importas que pereçamos?” (Mc 4, 38). Os ventos contrários à fé tornam-se assim uma oportunidade para se voltarem para o Senhor e para poderem gritar pela sua presença salvadora. Precisamos de que Ele nos salve na mediocridade com a qual vivemos a nossa fé. Precisamos de que Ele nos ajude a fazer uma leitura de fé de tudo aquilo que vivemos, tanto a nível pessoal como na comunidade, em Igreja. Precisamos de encontrar na vida de fé um sentido para todas as nossas experiências, sobretudo para aquelas que são como uma tempestade que nos abana e faz sentir o peso e o poder do mal. Experimentaremos então que os que confiaram e acreditaram no Senhor e “se fizeram ao mar em seus navios, a fim de labutar na imensidão das águas, esses viram os prodígios do Senhor e as suas maravilhas no alto mar” (Sal 106, 23-24).
Estrella Rodríguez FMVD
