Férias alternativas

1. Sabemos que nem todos têm a generosidade de se dar, no seu tempo de férias, às causas nobres do voluntariado. Muito menos partir para uma experiência de gratuidade em ambiente de severíssima austeridade. Mas congratulamo-nos, porque, ainda assim, um número significativo de gente nova se envolve nesses projectos. E larga corajosamente do cais, na certeza de que, dando, virá muito mais rico! Quantos recentraram a sua vida, fizeram o discernimento final da sua vocação, em situações desta “aventura” de doação!

2. Temos de concordar, isso sim, é na realidade da profunda banalidade das férias de tanta gente, que gasta as suas energias, em vez de as refazer, que se endivida em vez de se enriquecer, que mata o tempo em vez de fruir do tempo… Quando tantos outros, cujo direito a umas férias é indiscutível, não têm possibilidades de as viver, por insuficiência económica, por gritante injustiça social, por notória falta de solidariedade, às vezes dos próprios familiares, que os alivie de encargos com dependentes.

3. O nosso turismo está, normalmente, organizado em função do lucro puro e simples, integrando, como sabemos, não poucas vezes, meandros de obscuridade, sejam eles do jogo que desgraça famílias, sejam da exploração da própria pessoa humana, verdadeiros atentados à dignidade fundamental da mesma pessoa. Anunciam-se formas de lazer que degradam as sociedades, que aniquilam valores, que fazem regredir o ser humano a tempos de primitivismo, os quais, para alguns, são o retorno à natureza sem artifícios.

4. Estamos convictos – porque as experiências feitas comprovam a apetência de clientes – de que as férias poderiam ser sempre tempos de repouso em actividade enriquecedora. As férias científicas, as férias culturais, as férias de turismo religioso, as férias de conhecimento e intercâmbio entre povos… Vivi bastantes situações destas, quase sempre em serviço, que me trouxeram outros horizontes, que me proporcionaram uma rede internacional de relações humanas e mesmo amizades profundas, de permuta de trabalho.

5. Não quererão os empresários de turismo converter esse potencial em factor de desenvolvimento económico que sirva um desenvolvimento pessoal e social harmonioso? Estou certo de que, sem deixarem de ganhar, dariam a muitos dos que têm possibilidades de gozar férias oportunidades de transformar os seus gastos em proveitos, não apenas de repouso, mas de elevação cultural, social, artística, espiritual. Quem aposta em “férias alternativas”?