O segundo volume de Armor Pires Mota sobre Fermentelos dedica-se às bandas, folclore, gastronomia, canções, tradições…
No próximo dia 15, às 15h30, no salão nobre da Junta da Freguesia, vai ser lançado o livro sobre Fermentelos, intitulado “Fermentelos, artes e costumes”, da autoria de Armor Pires Mota, que deu alma e cor ao primeiro volume, publicado no ano passado. Será apresentador o historiador, filho desta terra, Amaro Neves.
A edição é da Junta de Freguesia com o apoio da Câmara e do Projeto Jovem e de várias empresas. Se os réditos do livro “Fermentelos, povo e memória” foram a favor da igreja, desta vez, serão direcionados para a AFA (Associação Fermentelense de Assistência) que tem andado assoberbada com obras absolutamente necessárias.
Trata-se de um livro, volumoso (400 páginas), que abarca a freguesia sobretudo no aspeto etnográfico, mas passando também pelas artes. Nesta área, as bandas, os dois grandes ex-libris de Fermentelos, cujas gentes trazem música no coração, desde o berço, ocupam um espaço folgado. Por outro lado, neste âmbito, não foram esquecidos as tunas e agrupamentos musicais, tão pouco os antigos ofícios (ferreiros, carpinteiros, barbeiros, tecedeiras e costureiras, parteiras)
Vasto é o que diz respeito à etnografia: grupos folclóricos, contradanças (nas primeiras os rapazes trajavam de raparigas…) que empolgavam a juventude local e levavam o nome da terra a outras terras da Bairrada e, como no caso das bandas e grupos folclóricos, eram também aos pares. Integra o livro o Cancioneiro Popular, recolha feita junto de mulheres que muito cantaram e bailaram nos difíceis tempos, constituída por quadras soltas ou cantigas, bem como centenas de provérbios. Regista festas que abundavam em Fermentelos e romarias da região e uma imensidade de costumes religiosos, ou tocados por esse espírito.
Armor Pires Mota intrometeu-se na cozinha e é dedicada especial atenção à alimentação. Também traz à baila o namoro e o casamento à moda antiga e costumes relacionados com estes actos (alguns muito poéticos e quase bíblicos), normalmente muito discretos.
O autor não deixou passar em banco as brincadeiras e jogos antigos que tanto eram praticados pelas crianças nas escolas como pela juventude nos largos, no caso de algumas modinhas de roda ou brincadeiras como as “Cordinhas de Santiago” ou o “Carago assado”. Há também páginas dedicadas aos brinquedos, muitos fabricados pelas crianças ou pelos pais.
Não esquece as brincadeiras de Carnaval, algo sujas, os costumes profanos como as latadas ou a queima do Judas, as polémicas maias. O penúltimo capítulo é dedicado a um século de associações, umas já extintas, outras ativas. O último abarca memórias e nacos de história, fala dos primeiros médicos e da medicina caseira. São registadas ainda largas dezenas de alcunhas das pessoas de Fermentelos, algumas com mais de um século.
A autarquia espera que o salão seja pequeno para este lançamento que irá trazer muitas surpresas e avivar o passado. A entrada é livre.
