Colaboração dos Leitores Ao longo da vida habituei-me a cumprir a minha palavra, o que por um lado implica esforço para cumprir o que digo, por outro lado implica um esforço de não dizer o que não posso cumprir.
Tenho para mim que, quem assim não faz, não é pessoa de bem.
Infelizmente todos os portugueses estão habituados a não acreditar nos seus dirigentes.
Atitudes irresponsáveis, palavras não pensadas, promessas fáceis mas não cumpridas, perdões de óbvios desvios de comportamentos, contradições entre órgãos do poder, a tudo isto os portugueses assistem sem poder interferir, já que diz-lhe também a experiência que, do uso do seu direito de voto, apenas tem resultado a substituição de figurantes que não a do espectáculo dramático a que estamos a assistir.
A esperança, que nos faz viver, leva-nos a conferir o benefício da dúvida com que mais uma vez somos presenteados.
Será que o novo governo vai pagar as dívidas do Estado às Casas de Saúde e Instituições, que tanto reclamam?…
Como poderão subsistir famílias de fracos recursos económicos com as novas regras de comparticipação em medicamentos e assistência social?
Mais um vez, infelizmente, teremos de continuar à espera que os governos transformem o Estado numa pessoa de bem… Por enquanto, não é!
Falharam as utopias da esquerda e as promessas da direita.
Acabou-se o tempo das ideologias. O descrédito conduz à derrocada, lançando a desconfiança sobre as repúblicas e as democracias. Tal acontece, porque estes pobres mortais, que nós somos, confundem a mão direita e a mão esquerda… E da confusão não nasceu coisa boa…
Eduardo Rodrigues
