Formação permanente

Revisitar o Magistério Esta é hoje uma questão indiscutível para qualquer pessoa: a formação é um processo que deve percorrer toda a nossa vida. Terminaram as formações dos manuais fechados; acabaram os cursos concluídos!… Tudo continua em aberto, mesmo depois do doutoramento. E quem não assumir esta atitude de busca e construção permanente, perde o comboio da vida, que não apenas o da história.

Convenhamos que, sendo isto verdade para toda e qualquer pessoa, mais exigente se torna para aqueles cuja missão é anunciar a Boa Notícia de uma Pessoa inesgotável, Jesus Cristo, a ser acolhido por gerações sujeitas a transformações culturais e sociais constantes e profundas, que reclamam sempre novo impulso, novo vigor, nova linguagem, permanente criatividade na comunicação desse Evangelho.

Sobre isto, o DMVP tem palavras sem rodeios. Primeiro, a fundamentar a sua necessidade: “Trata-se de uma necessidade intrínseca ao próprio dom divino, que deve ser continuamente vivificado, para que o presbítero possa responder adequadamente à sua vocação. Com efeito, enquanto homem historicamente situado, ele tem necessidade de se aperfeiçoar em todos os aspectos da existência humana e espiritual, para poder alcançar aquela conformação com Cristo, que é o princípio unificante de tudo” (n.º 69).

Depois, aclara-se a razão de ser da sua necessidade permanente: “A actividade de formação baseia-se numa exigência dinâmica, intrínseca ao carisma ministerial, que é em si mesmo permanente e irreversível. Por conseguinte, ela nunca se pode considerar terminada… É necessário, portanto, pensá-la e desenvolvê-la de maneira que todos os presbíteros possam recebê-la sempre, tendo em conta as possibilidades e características resultantes das variações da idade, da condição de vida e das tarefas atribuídas” (n. 73). Três aspectos a ter em conta: a idade, a condição de vida e as tarefas em que se está empenhado.

A concluir esta reflexão, o DMVP refere a necessidade de que seja uma formação completa: “humana, espiritual, intelectual, pastoral, sistemática e personalizada”. E isto traduzido no desenvolvimento da personalidade em atitude de serviço, na capacitação nas ciências teológicas e humanas, numa vida espiritual profunda, em ordem ao empenho e dedicação pastoral (cf. N.º 74).

Não restam dúvidas. Percebe-se claramente o esforço que os nossos bispos têm posto em nos motivar. Ficará o incómodo das questões: Por que nos colocamos em atitude de tanta reserva, face ao dom que nos é oferecido?… Não percebemos que a nossa identidade e a nossa missão exigem esta formação permanente?… Entendemos que o Mundo já parou e não precisa de novidade libertadora?… Julgamos que Jesus Cristo se esgota facilmente num qualquer “prontuário”?…

Q.S.