Frases da Semana

Na cultura do medo actualmente em cena, qualquer histeria tem lotação esgotada. (…) Acontece que a doença não passa de boca a boca (…) É preciso praticamente beijar uma galinha infectada para morrer como ela. (…) O medo é um megócio. Um negócio para os jornais. Um negócio para laboratórios.

João Pereira Coutinho

Expresso, 22-10-05

A discussão sobre os poderes do Presidente continua. Conformada, quase toda a grente aceita que aquele nada pode fazer. Mentira. Se for livre e quiser, o Presidente tem meios ao seu alcance. Pode não promulgar leis. Pode não aceitar nomeações. Pode advertir os governos e o Parlamento. Pode dissolver a Assembleia. Pode impor condições para a formação de governos. Pode impor processos de feitura de leis mais competentes. Pode exigir leis mais bem elaboradas e justificadas. Pode mandar estudar problemas e retirar conclusões. Pode publicar livros brancos com recomendações políticas. Pode enviar repetidas e contundentes mensagens ao Parlamento. Pode designar as instituições que não cumprem os seus deveres. Pode impedir negócios estranhos. Pode fazer isso e muito mais. E será tanto mais eficaz quanto o fizer com o povo como testemunha. Isto é, se agir diante dos cidadãos, às abertas. Se não for um covarde que, com receio de ser contrariado pelo governo ou pelo Parlamento, prefira o silêncio ou a reserva. Se trocar as conversas semanais, discretas e alcatifadas, do Palácio de Belém, com o primeiro-ministro, pelo espaço público. Se for claro, concreto e preciso. Se a população perceber o que denuncia e o que propõe. Se assim for, talvez não se trate de mais uma eleição perdida.

António Barreto

Público, 23-10-05

No Portugal do século XXI, só um juiz se pode dar ao luxo de convocar dezenas de pessoas para comparecer no mesmo dia, à mesma hora, para uma audicência de um julgamento que tem uma grande hipótese de não se realizar. Mas mesmo que se realize, serão ouvidas duas, três, quatro testemunhas. As outras voltarão para a próxima sessão, depois para a seguinte, num gigantesco e estúpido desperdício de horas de trabalho.

Jorge Fiel

Expresso, 22-10-05

A fraude em causa nesta investigação [a quatro bancos] ultrapassa em muito os dois mil milhões de euros de que se falou.

Expresso, 22-10-05

A história recente da justiça portuguesa está cheia de mega-processos com mini-resultados.

João Paulo Guerra

Diário Económico, 21-10-05