Um professor que não é capaz de substituir um colega durante uma aula, a quem não ocorre nada de útil para ocupar os alunos nesse tempo, é definitivamente incompetente e não está na escola a fazer nada.
Miguel Sousa Tavares
Expresso, 06-01-07
As festas de Natal e de fim de ano são sempre um ponto alto numa das misérias mais nefastas dos séculos XX e XXI: o barulho. Televisões, rádios, buzinas de carros, altifalantes nas ruas, árvores de Natal sonorizadas, foguetes, apitos de toda a espécie: as forças do mundo unem-se nesse propósito desumano e incompreensível que é o de fazer barulho. Como se fosse uma expressão da alegria, um sinal de felicidade ou um sintoma de satisfação.
António Barreto
Público, 07-01-07
Judeus, cristãos e muçulmanos podem todos dizer que “Deus é amor” e que a paz é o nome das suas religiões. Não devem esquecer, no entanto, que são frases que podem ser ensina-das a qualquer papagaio. Se não tentarem, juntos, vencer os ódios e as guerras, se não voltarem os seus olhos e sos seus ouvidos para o mundo das vítimas da fome e da guerra, são cegos, guias de cegos.
Bento Domingues
Público, 07-01-07
Era bom que não se pedisse aos portugueses sistematicamente para terem confiança e, ao mesmo tempo, se cultive uma cultura de desconfiança. Era bom que não se falasse constantemente da necessidade de responsabilizar todos os agentes do Estado e da sociedade civil e, ao mesmo tempo, se multipliquem os mecanismos para controlar tudo e centralizar tudo.
José Manuel Fernandes
Público, 05-01-07
É profundamente chocante podermos registar que o último acto simbólico da força do poder no mundo foi o enforcamento de Saddam. (…) E o poder da Europa, que há muito aboliu a pena de morte, também está simbolicamente bom demonstrado: tem o poder de condenar o acto. Mais nada.
Paquete de Oliveira
Jornal de Notícias, 04-01-07
Custa a crer que, com meios adequados, o saber necessário e a prontidão indispensável, não fosse possível salvar aquelas vidas a partir de terra ou do ar. E talvez fosse outro o destino dos pescadores se usassem coletes de salvação e tivessem a formação necessária, algo de que, como dizem os sindicatos, sucessivos governos se esqueceram à medida que a pesca foi sendo desprezada – esse crime maior num país que fez do mar a sua História.
Fernando Madrinha
Expresso, 06-01-07
