A persistência com que Bento XVI insiste em ser frontal, seja na proclamação do cerne da fé – acolher uma pessoa, Jesus Cristo, que não tira nada e dá tudo! -, seja na reafirmação dos princípios resultantes do Evangelho – princípios éticos imutáveis, como o respeito pela vida, a dignidade da pessoa humana, a responsabilidade de cada um pelo bem comum -, seja na consideração lúcida dos problemas que ofuscam o projecto de Deus, para o Mundo, para o Homem, permitem-nos concluir que a sua condição de “humilde trabalhador da vinha do Senhor” não reduz a convicção com que tomou o leme da “barca de Pedro”, antes lhe permite penetrar sabiamente na profundidade das realidades e dizê-la em palavra sábia e sóbria.
A mensagem que nos dirigiu para o Dia Mundial da Paz é mais uma prova dessas convicções profundas, da intimidade com a luz do divino, da profundidade e ousadia de quem saboreia o que crê, de quem ensina o que saboreia, de quem crê o que ensina. A autoridade do seu magistério brota-lhe da verdade que propõe e da verdade com que o propõe. Com a doçura de um pai, que ama mesmo quando tem de advertir, não nos ilude com subterfúgios ou fantasias.
Diz-se que cada Papa vem no seu momento próprio, cada um tem o seu estilo. É um facto. E a Igreja precisa de personalidades diferentes, para manifestar em cada tempo facetas novas e profundidades novas do Evangelho permanente. É um bom começo de ano que Sua Santidade nos está a proporcionar. A quarenta anos do Vaticano II, mesmo quando parece indicar-nos o caminho para “arrumarmos a casa”, está a estimular-nos a uma leitura e recepção do âmago desse acontecimento eclesial. Teólogo consultor do seu bispo, ao tempo, tem agora uma chave hermenêutica enriquecida pela sua vida pastoral e pela sua responsabilidade de guardião da Fé.
Em tempos de relativismo generalizado, que, dentro da própria Igreja, semeia superficialidade, falta de rota, “contestação ignorante”, o “pastor à frente, bordão erguido, mostrando os Céus, apontando o rumo” é uma segurança para quantos querem anunciar, na fidelidade a Deus e ao Homem, o Evangelho que liberta. Jesus é a Verdade que liberta!
