Fundamentalistas pretendem eliminar cristãos na Índia

PRISCILA CIRINO

Com 50 mil pessoas a viver em campos de refugiados, ou escondidas, os fundamentalistas parecem querer apagar todos os vestígios da presença cristã em Orissa, estado da Índia. A caminho de completar o segundo mês de ataques ininterruptos, a perseguição aos cristãos na Índia intensifica-se.

Casas e igrejas são queimadas e arrasadas. Linhas delimitadoras de terrenos privados são retiradas e os mesmos ocupados e divididos entre os agressores. Os poucos cristãos que permaneceram nas suas terras são obrigados a converter-se ao hinduísmo, sob ameaça de morte. Os que recusam são martirizados; os que sucumbem são obrigados a profanar bíblias e outros artigos sagrados, e até a agredir outros cristãos. Já são mais de 60 os cristãos nestas perseguições.

O bispo de Tiruchirapalli, Dom Anthony Devotta, um dos participantes do Sínodo sobre a Palavra de Deus, alerta para o facto de que os ataques correm o risco de transformarem-se numa perseguição generalizada, se os governos não intervierem para travar a acção dos grupos extremistas. A situação é mais difícil no estado de Orissa, onde governa um partido fundamentalista. “Desde Orissa, a onda de intolerância poderá alcançar outros estados mais ‘tranquilos’”, afirmou Dom Anthony Devotta. O bispo explica que, em geral, os governos dos diversos estados indianos, ainda que tutelem as minorias, com frequência fazem “vista grossa” às violências dos extremistas hindus.  

Por outro lado, a canonização da primeira santa indiana, Afonsa da Imaculada Conceição, no dia 12 de Outubro, em Roma, teve uma ressonância especial no seu país natal. Na altura da sua canonização, a santa reuniu cristãos, hindus e muçulmanos em torno do seu túmulo em Bharananganam, Kerala. No mesmo dia da canonização de Santa Afonsa, no entanto, uma igreja anglicana foi queimada por hinduístas em Madya Pradesh, na Índia.

Ao falar em nome dos bispos do continente asiático, no Sínodo, o arcebispo Tomas Menamparampil, de Guwahati, Índia, recordou que a liberdade religiosa, em muitos lugares do continente, é limitada e que há muitos cristãos na prisão em diversos países. “De qualquer modo, a paciência manifestada pela comunidade cristã, a moderação na resposta e o espírito de perdão têm um poder evangelizador”, afirmou o arcebispo.

IRAQUE

“Viver a Palavra custa a vida”

A situação no Iraque para os cristãos é cada vez mais difícil, confessou no Sínodo dos Bispos o cardeal Emmanuel III Delly, patriarca da Babilónia dos Caldeus.

“A vida é um calvário: falta paz, segurança e o mais básico para a vida diária”, denunciou. Apesar disso, o patriarca recorda que os cristãos seguem firmes na fé em Cristo. “Viver a Palavra de Deus significa para nós testemunhá-la inclusive à custa da própria vida, como sucedeu e sucede até agora com o sacrifício dos bispos, sacerdotes e fiéis”, reconheceu, ao recordar os novos mártires: o arcebispo de Mosul, Faraj Rahho, o padre Raghid Ganni, além de outros dois sacerdotes e seis jovens.

Na última semana, os ataques aos cristãos em Mosul continuavam a acontecer. O cardeal Delly acusou “forças obscuras que vêm do exterior” de provocar a perseguição contra os cristãos para “desmembrar a unidade nacional”. Segundo o cardeal, durante catorze séculos cristãos e muçulmanos conviveram com espírito de tolerância e fraternidade, partilhando a vida e construindo em conjunto “a nossa amada pátria”.

AFEGANISTÃO

Funcionária de ONG é assassinada

“Acusada” de pregar o Cristianismo, uma funcionária sul-africana da ONG Serve Afghanistan, foi assassinada no oeste de Cabul, no Afeganistão, no dia 20 de Outubro. “Assassinamos esta mulher estrangeira em Cabul e assumimos a responsabilidade. Matámo-la porque trabalhava para uma organização que pregava o cristianismo no Afeganistão”, afirmou um porta-voz dos talibãs, Zabihulah Mujahid. Embora os ataques contra cidadãos estrangeiros sejam muito raros em Cabul, os ataques contra as ONG têm-se sucedido desde o início do ano. De Janeiro a Setembro, foram contabilizados cerca de 146 incidentes de segurança, implicando grupos criminosos ou rebeldes, que visavam as ONG.