Geração peregrina

Colaboração dos leitores Sendo caminhante, a pessoa humana gosta de peregrinar.

No que diz respeito ao homem peregrino, convém lembrar que, nas eras em que Portugal ainda não passava de uma criança, havia três caminhos a percorrer: Jerusalém, Roma e S. Tiago de Compostela.

Hoje, felizmente, não precisamos de ir tão longe… Portugal, a partir de 1917, tornou-se lugar de peregrinação. Em qualquer dia, de forma especial ao domingo e, sobretudo, no dia 13 de Maio, todos os caminhos vão dar a Fátima.

É verdade… Pessoas de todas as idades, pés descalços, bordão nas mãos, vencendo todas as intempéries, percorrendo os destinos de Portugal em direcção à Cova da Iria.

Este facto parece impressionar muito boa gente, para o bem e para o mal. Quantos são chamados a mudar o rumo das suas vidas e quantos são levados a proferir blasfémias ou a escrever os livros mais insensatos… Queiramos ou não, Fátima mexe com as pessoas… Ou somos a favor ou contra… Certo dia, um escrevinhador que se dizia psicólogo, em “Fátima nos bastidores do Segredo”, garantia, a pés juntos, que os testemunhos da Aparição foram construídos pela igreja. Que se há-de dizer disto? Que não passa de asneira rematada!

Que percebem estas criaturas de fenómenos sobrenaturais?… Que podem elas alcançar sem as antenas da fé? Como explicam as profecias sobre a morte dos dois pastorinhos, ou o milagre do Sol relatado por jornais dignos de crédito?

Apesar de honrado com a presença de Nossa Senhora, Portugal não está a ser fiel à Senhora da Mensagem. Ainda há pouco se lia que o Norte é a região onde as adolescentes cometem mais abortos e tam-bém se acrescentava que somos o país onde há mais filhos à margem do casamento. Que vivemos numa tremenda confusão, não temos dúvidas… Que não sabemos onde tudo isto vai parar, benza-nos Deus!

Além da crise económica, encontramo-nos a braços com uma tremenda crise moral que afecta todo o tecido da sociedade portuguesa.

Foram atingidos os próprios laços familiares… O pai não conhece o filho e o filho não conhece o pai. Quando o pai alcança a velhice, vai para os lares de terceira idade. Desenraizado do ninho familiar, deixa a casa que o viu nascer, a família que ele próprio constituiu, os amigos que o acarinhavam nos momentos difíceis, a fim de ser relegado para o terminal da velhice.

Será um mal menor, mas é um mal muito triste.

Eduardo Rodrigues