Ponta de Lança A expressão aplica-se perfeitamente ao estado de espírito que se vive entre os aveirenses (em toda a latitude da região) que gostam de futebol e se identificam com o Beira Mar e com as coisas de Aveiro. Indo à boleia do título da obra de Marinho Neves (de 1996, um romance sobre a corrupção do futebol português) alia-se semanticamente à ideia de “golpe de Estado”!
Ora acontece que, bebendo também inspiração na crónica de José Eduardo Agualusa (fronteiras perdidas) sobre “a política real dos casamentos”, apresentada na Pública (nº 398, de 11 de Janeiro de 2004), a propósito do casamento de uma filha do presidente angolano e dos problemas sócio-plíticos que provocou, o cronista reflecte sobre se seria possível um golpe de Estado num país onde não existe Estado?!
Aqui nasce o nosso paralelismo, é preciso unir esforços e fazer um autêntico “golpe de estádio” em Aveiro. As razões:
– um estádio, como tudo, só o é quando existe. Portanto, se ali para os lados de Taboeira há uma escadaria com cadeiras e um relvado no centro, por mais bonito que esteja, não passa disso, aliás, passa disso sim senhor, a única infra-estrutura complementar que lhe dá utilidade são as (muitas) casas de banho, nada mais. Portanto, uma obra tão dispendiosa… para albergar casas de banho! Claro, estou a falar do comum dos mortais, dos que pagam o seu bilhete, as suas cotas, etc.
– ninguém, por mais apaixonado que seja, pode pactuar com tamanha hipocrisia político-profissional. A Câmara Municipal de Aveiro, para além de dar despacho a documentação de obras particulares tarde e a más horas (quando o dá) e depois de ter meses o pagamento efectuado, faz exigências e mais exigências ao munícipe. E ali, quem faz a vistoria? Não é admissível questionar esta hipocrisia ou incompetência?
– Aveiro (as pessoas de Aveiro, as pessoas, sempre em primeiro) são mais importantes que dois falaciosos jogos do Euro. Somos nós que ficamos depois da festa, caros senhores. Então onde pára a polícia, a organização, o respeito digno de países do Euro e da Europa.
E porque temos de ficar por aqui, pode-se acrescentar que o que se passa à volta do Estádio de Aveiro (mesmo em todas as dimensões da questão semântica) é de terceiro mundo!
Desportivamente… pelo desporto!
