Grande festa do escutismo juntou dois mil escuteiros em Cacia

No Domingo, 27 de Abril, comemorou-se o Dia de São Jorge, padroeiro do escutismo. Cacia recebeu dois mil escuteiros em festa. Ser “ânfora de água viva” foi o mote do dia

“Procurai um estilo de vida modelado pelo Evangelho; orientai-vos para Cristo, que vos convida a ser ânforas de água viva, neste mundo sedento de Deus”, disse D. António Francisco aos dois mil escuteiros, e em especial aos dirigentes, que no Domingo passado, 27 de Abril, viveram em festa o Dia do Patrono, São Jorge (dia litúrgico a 23 de Abril), na freguesia de Cacia.

O Bispo de Aveiro afirmou que “a Igreja diocesana se alegra com o escutismo”, que é “escola para a vida, escola de valores, escola de caminhos diferentes, de caminhos saudáveis (…), de pedagogia para uma sociedade nova”. “Damos graças a Deus pelo trabalho realizado e depositamos grande esperança no futuro”, proclamou na Eucaristia que encerrou o dia anual em que os escuteiros da Região de Aveiro (área escutista correspondente à Diocese) se juntam em maior número.

Aos dirigentes, o “alicerce sólido do escutismo”, o Bispo de Aveiro pediu que valorizem a formação espiritual e a vida de Igreja e apontou o exemplo de São Jorge, ainda que “distante no tempo”.

Vivendo no tempo do Império Romano (foi martirizado no início do séc. IV), São Jorge foi “protagonista de grandes caminhadas”, “paladino de uma fé saudável”, ten-do preferido ser fiel a Deus a ser fiel ao imperador. A sua heroicidade e integridade inspiram o movimento escutista, em especial os dirigentes preocupados com a educação dos jovens, pois “os melhores caminhos de serviço são sempre de santidade”.

“Ânforas de água viva”

Os dois milhares de escuteiros, distribuídos pelas quatro secções (lobitos, exploradores, pioneiros – estes, de sexta a domingo estiveram em quatro mega-acampamentos – e caminheiros), viveram o dia com várias actividades inspiradas pelo imaginário das “ânforas de água viva”. Algumas das actividades decorreram nas margens do Vouga, onde há 80 anos (Agosto de 1928) aconteceu o segundo acampamento nacional de escuteiros.

As actividades escutistas acontecem sempre segundo um imaginário, isto é, uma história, símbolo ou lema, que pretende provocar a vivência de valores positivos. Neste caso, “apelava-se ao valor da pureza e da transparência, ao valor da vida como dom de Deus, ao baptismo, ao espírito de «família, comunidade de verdade», como diz o nosso lema deste ano”, explica Manuel Santos, chefe regional do CNE.

Manuel Santos avaliou a actividade como “muito positiva”, pois confirmou a “adesão crescente” dos agrupamentos ao Dia de São Jorge, e salientou a colaboração da Junta de Freguesia de Cacia, da Câmara de Aveiro (o presidente do município, Élio Maia, marcou presença no decorrer do dia) e ainda de organismos como a GNR ou os bombeiros. Estes, durante a Eucaristia, seriam solicitados a acorrer à indisposição de um escuteiro e de uma senhora de Cacia.

“Criou entusiasmo”

O pessoal andou animado e interessado nos jogos.

O Agrupamento 779 [de Cacia, principal dinamizador do dia,] recebeu muitas ajudas dos pais e das associações de Cacia, de gente quer da paróquia, quer de fora da paróquia. Aqui é que notámos a capacidade das pessoas para ajudarem. Foi impecável. Penso que mexeu com a comunidade, criou entusiasmo, e isso foi muito positivo.

Ernesto Oliveira,

Chefe do Agrupamento de Cacia

“É uma alegria ver tantos jovens”

É uma alegria para a freguesia ver tantos jovens. A Junta de Freguesia colabora com o escutismo, como prova a cedência recente de uma escola primária. Para o dia de hoje [27 de Abril], demos o apoio todo que o agrupamento nos pediu. É importante apoiar estas iniciativas, que cultivam valores de que precisamos.

Casimiro Calafate,

Presidente da Junta de Freguesia de Cacia

Campo-escola de São Jacinto pode voltar para Aveiro

O Campo-escola de São Jacinto, estrutura gerida pela Junta Central (direcção nacional do CNE – Corpo Nacional de Escutas), pode voltar à gestão da Junta Regional de Aveiro. A proposta partiu da Junta Central e vai ser submetida ao Conselho Regional (órgão máximo do escutismo em Aveiro), que reúne no dia 11 de Maio.

Manuel Santos espera que a proposta seja aprovada pelo CR, porque representa “um grande desafio e uma mais-valia” para a Região de Aveiro. “Temos a sensibilidade local e podemos desenvolver parcerias com a Rota da Luz – ou o organismo que a ela suceder – e com as juntas de freguesia e a autarquia, porque o campo-escola é procurado por escuteiros de todo o país e mesmo de várias partes do mundo”, afirma.

O chefe regional considera que o campo, que desde os inícios da década de 1990 está sob a alçada da direcção nacional do CNE (primeiramente fora cedido à Região de Aveiro), está agora mais acessível graças ao ferry-boat entre a Gafanha da Nazaré e São Jacinto e poderá ter um papel importante como espaço de formação para dirigentes. Por outro lado, “responde à lacuna de locais próprios para acampar” – refere Manuel Santos. Ora, sem acampamentos, o escutismo é menos escutista.