Greve geral – três posições

Questões Sociais De entre as várias posições perante a greve geral de 24 de Novembro, talvez se possam relevar três: a concordância, a discordância e a aceitação. A concordância traduziu-se na adesão à greve, participando ou não nela. Os aderentes invocaram, como fundamento, a injustiça de políticas governamentais, bem como os alegados abusos da«burguesia» capitalista e empresarial. Quase deram a entender que o Governo é mau, intrinsecamente, e só não adopta políticas mais favoráveis porque não quer. Parecem até presumir que ele pode impor-se aos nossos credores, e libertar-se deles.

A discordância da realização da greve proveio de pessoas que, em maior ou menor grau, apoiam o Governo. Mas também proveio de pessoas que o contestam, com mais ou menos veemência e amplitude. Os discordantes da greve baseiam-se, além do mais, nas seguintes considerações: o prejuízo para a situação financeira; o notório prejuízo para inúmeros/as trabalhadores/as e outras pessoas prejudicados/as com ela; o aumento de dificuldades para um elevado número de empresas; o efeito na fuga de capitais e de empresas para fora do país, por alegados motivos de segurança; a diminuição da nossa credibilidade perante os credores estrangeiros e transnacionais; o reforço das desigualdades entre os/as trabalhadores/as que podem fazer greve e os/as que não podem. No limite, os discordantes da greve afirmam que ela faz o jogo do grande capital transnacional, em prejuízo do povo, das empresas mais débeis e da governabilidade do país.

A aceitação da greve como um facto, mais ou menos relevante, pode verificar-se independentemete da concordância ou discordância. E pode manifestar-se com pendor pessimista, optimista, derrotista ou positivo. A aceitação positiva – responsável e construtiva – parece a mais adequada a partir de agora. Na verdade, ela implica, nomeadamente: uma consciência mais esclarecida e corresponsável dos problemas do país; o empenho na procura de soluções; a influência junto dos centros de poder, público e privado, nacional, «comuntário» e internacioanl; a proposta e experimentação de soluções concretas…; e, na base de tudo, o trabalho regular de diálogo social e concertação a nível nacional, sectorial, local, empresarial, institucional… Não dispomos, certamente, de condições para a solução dos nossos graves problemas; contudo, nada impede que a procuremos.