Olhos na Rua Ouvi agora o que se disse antes e no dia 25 de Abril. Ponderei as atitudes tomadas de sentido diverso, todas proclamando, a seu modo, fidelidade aos ideais da liberdade. Somos pequenos e quezilentos, arvorados em eruditos e dogmáticos. Mais presos a interesses de grupo do que a projetos a favor de todos. Vivi o 25 de Abril de 74 no Alentejo, onde já vivia há quase vinte anos. Fui entendendo os exageros de então. Os de agora não os entendo, nem os aceito. Sem se aprender a ver e aceitar o que é para todos, soltam-se, inevitavelmente, sinais redutores e egoístas, que desprezam uns e só movem alguns grupos. A mesma fonte fica espartilhada. Quem podia ajudar a entender, politicamente, a gente velha de ideias e sentimentos, bem como o sentido dos tempos novos, cede a simpatias e a teimosias e perfila-se do lado dos teimosos, alardeando fidelidade aos heróis e aos ideais de Abril…
Faz falta a mística do 25 de Dezembro, Natal de Cristo, para se poder viver, em fraternidade plural, o 25 de Abril. Então, proclamou-se a paz para todos os homens de boa vontade. Agora, parece que esta espécie de homens cedeu a interesses e se tornou cada vez mais rara.
