À luz da Palavra – VII Domingo do Tempo Comum – Ano B Neste domingo, a liturgia da Palavra assegura-nos que Deus continua a oferecer-nos o seu projecto de vida, mediante a acção benéfica de Jesus, continuada na Igreja. Ele é capaz de renovar todas as pessoas e situações, fazendo algo de “novo”, de inédito.
Na primeira leitura, é o próprio Senhor, que, falando pela boca do profeta Isaías, pede ao povo para esquecer um dos períodos mais difíceis, tristes e humilhantes da sua história, o cativeiro da Babilónia, em que perderam o que de mais importante tinham: o país, o rei e o templo. Tudo foi perdido! Deus diz-lhe que é capaz de fazer algo de novo e que esse algo já está a despontar. É preciso limpar as lágrimas e olhar para a frente e, com esperança, perceber os projectos do Senhor que se vão desenhando no meio da dor e na obscuridade. O Deus que fez do nada todas as coisas é muito mais capaz de recriar a partir dos destroços e desilusões. Por isso, o povo judeu soube descobrir o Deus criador, no meio do seu Exílio, e confiou nele.
No evangelho, Marcos relata-nos um dos episódios mais reveladores da missão de Jesus Messias. Cheio de enternecimento, manifesta que é o enviado de Deus, para libertar totalmente o ser humano. Cura física, psíquica e espiritualmente um paralítico, que lhe foi apresentado, introduzindo-o na nova criação anunciada pelo profeta Isaías. Para os con-temporâneos de Jesus, que assistiam àquela cena e que começaram a criticar, também era impossível fazer erguer um paralítico de uma esteira, sustentada por quatro homens e, ainda mais, renovar interiormente esse paralítico, perdoando-lhe todos os seus pecados. Não queriam ver a evidência! O facto é que Aquele que assim ordena é o próprio Filho de Deus, feito homem, com o mesmo poder de amor que salva e com os mesmos sentimentos de misericórdia e de fidelidade ao povo da Aliança.
Na segunda leitura, Paulo exorta-nos a seguir o exemplo de Jesus no seu “sim” permanente ao Pai. A compreensão interna de que Jesus foi um “sim” contínuo ao Pai, dado no amor e na obediência, o qual nos obteve a salvação/libertação, ajuda-nos a descobrir na pessoa de Jesus a ternura do amor fiel e misericordioso de Deus para connosco. Paulo conheceu bem Jesus Cristo e soube segui-lo como discípulo, de modo a poder afirmar que também ele e os seus companheiros nunca vacilaram na fé, que viviam e que anunciavam. Estão convictos de que todas as promessas de Deus são um “sim” em seu Filho e, por isso, também eles foram um “sim” e um “ámen” a Deus, não por mérito próprio, mas porque foram confirmados em Cristo.
Por vezes, vivemos desiludidos e acabrunhados, sem capacidade para tirar proveito dos acontecimentos da vida contrários aos planos que sonhámos… Porém, somos chamados a voltar-nos o nosso coração confiante para o Pai e a estar prontos que Ele nos tire dos nossos fossos, através de outros irmãos que, em seu nome, nos ajudam. É esta a minha atitude habitual? Tenho consciência de que sou instrumento do amor de Deus na libertação do meu próximo? Sei, pela fé, que da minha fidelidade ao Pai pode nascer algo de novo, onde tudo parecia perdido?
Leituras do Domingo VII do Tempo Comum – Ano B: Is 43,18-19.21-22.24b-25; Sl 41 (40); 2 Cor 1,18-22; Mc 2,1-12
Deolinda Serralheiro
