Há morosidade na resposta às vítimas dos incêndios

Conselho Permanente da CEP alerta: O Conselho Permanente da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), que esteve reunido em Fátima, em 9 de Setembro, alertou para a morosidade com que algumas instituições públicas estão a encaminhar os apoios para as vítimas dos incêndios florestais do mês de Agosto. Quem o afirmou foi o porta-voz daquela estrutura da Igreja Católica, D. Tomaz Nunes, no final da reunião.

D. Tomaz lamentou que ainda não tenha sido possível aplicar verbas na reconstrução de casas destruídas, mas reconheceu que “fazer uma acção integrada não é fácil. Há algumas dificuldades, na morosidade de inquéritos e processos de natureza burocrática, que dificultam esta acção”, sendo “mais fácil a relação com as pessoas, directamente, do que através das instituições”, disse.

O porta-voz da CEP, ao referir-se à aula de Educação Moral e Reli-giosa Católica (EMRC) nas escolas do 1º Ciclo, garantiu que tem havido “uma certa arbitrariedade no procedimento da oferta” daquela disciplina, sublinhando que “a legislação conduz a essa mesma arbitrariedade”. No entanto, não deixou de dizer que existe, “da parte do Minis-tério, uma abertura ao diálogo”.

Sobre as escolas particulares, designadamente as escolas católicas, que estão em regime de contrato de associação, frisou que se deparam “com dificuldades”, face às ameaças do Ministério da Educação, ao “pretender diminuir o número de turmas para não esvaziar as escolas públicas”. Também denunciou que o Governo está a prever aplicar “um corte nos subsídios a essas escolas” (ver número anterior do Correio do Vouga e artigo de D. António Marcelino, na primeira página desta edição).

D. Tomaz Nunes informou que os Bispos presentes na reunião aprovaram a criação de um grupo de especialistas da área da Bioética, tendo em conta que “estas questões são, do ponto de vista ético, muito complicadas”. E acrescentou que esses assuntos “exigem uma reflexão, até porque, em Portugal, está a ser preparada uma legislação sobre esta matéria”, não podendo a Igreja ficar “alheia a este problema”.

Entretanto, os Bispos portugueses já publicaram uma Carta Pastoral sobre “Responsabilidades Solidárias pelo Bem Comum”, a que daremos o devido destaque na próxima semana.

Em agenda ficam outros documentos, nomeadamente sobre o Desporto, porque se avizinha o EURO 2004, e sobre a Família.