Pedro Miguel Vieira Barros, 19 anos, catequista/animador na paróquia de Santa Joana e estudante de Tecnologias de Informação e Comunicação, passou parte do Verão em experiência missionária, em Moçambique. Agora deixa aos leitores do Correio do Vouga um testemunho sobre esses dias marcantes.
Foi a minha segunda experiência missionária. O local de missão não foi o mesmo que o ano passado. Desta vez fui para a Namaacha, que fica no interior, a cerca de 80 km de distância da província de Maputo. É uma zona montanhosa com cerca de 800 m de altura, sendo por isso uma zona fria. Faz fronteira com a Suazilândia.
A população é na sua maioria pobre, e sobrevive do comércio. É um local com muitos jovens e crianças, devendo-se isso também à existência de uma escola secundária (Escola Secundária da Namaacha), de um Centro de Formação de Professores, e a quatro escolas primárias.
Eu e o meu amigo de missão, o Daniel, fomos recebidos pelos Salesianos, aquando da nossa chegada a Moçambique. A casa que nos acolheu corresponde ao Noviciado, local de formação para ser Salesiano, cujos formandos são apelidados de Noviços. Fomos acolhidos pelo Pe. José Maria (Director), Pe. Mário Candia (Vigário), Ir. Jesus, Ir. Manuel e pelos 10 noviços provenientes de Moçambique e também de Angola.
Quando chegámos ao Noviciado (eu e Daniel), quisemos integrar-nos e acompanhar tudo o que faziam, toda a estrutura da casa.
O trabalho que desempenhei esteve sempre relacionado com os jovens, foi essencialmente animação com os jovens e para os jovens. O local de trabalho foi no Oratório do Centro Juvenil de Dom Bosco, na Namaacha. Durante toda a sema-na e incluindo o fim-de-semana. À semana, estava com os jovens no Oratório das 8h30 às 11h30 e das 14h às 17h. Durante este período que me encontrava no Oratório, eu e o Daniel, realizávamos jogos e actividades de animação com as crianças e com os jovens, pois como tínhamos alguns jogos diferentes para lhes ensinar, havia grande vontade de participação por parte deles. Nós os dois sempre nos preocupámos em que eles também nos ensinassem jogos e actividades, para que eles sentissem realmente que somos iguais, somos irmãos e que somos jovens como eles.
Também durante a semana, tínhamos a exibição de um filme (levámos alguns) todas as terças. Às quintas, tínhamos um passeio pela vila.
No fim-de-semana, havia o Campeonato de Futebol Dom Bosco, ao sábado, jogos estes que reuniam muitos jovens e em cuja organização colaborei. Da parte da tarde de sábado, havia catequese, no Colégio Maria Auxiliadora, sob a direcção das Irmãs. Onde não colaborei activamente, pois eram os noviços e as irmãs que davam catequese; mas tive oportunidade de assistir. Nos domingos, que eram sempre bastante agitados, tivemos ordenações, profissão de votos, e acompanhávamos a comunidade nestes dias.
O mês de Agosto, mês de Dom Bosco, pois ele nasceu a 16 de Agosto de 1815, reuniu muitos jovens ao longo de todo o mês no Oratório, às 18h, para em conjunto rezarmos o terço. Aqui sim, vivi a verdadeira devoção que estes jovens têm, e fez-me reflectir muitas vezes o que são e quem são os jovens cristãos? No dia 16 de Agosto, por ser um dia comemorativo, realizou-se missa no Oratório para os jovens. Foram chegando e chegando; e ficou cheia a sala. O envolvimento deles é tão grande que participam euforicamente na missa, através dos cantos, dos olhares, da meditação. Fui ao longo da minha missão percebendo que a Força que move os Jovens, que também me move a mim, é tão intensa, tão profunda, e que, se existem gestos puros e verdadeiros, eu encontrei-os na minha missão, porque não chega o dizer e fazer, é preciso sentir, reflectir, e principalmente Amá-lo!
No meu dia-a-dia, o que mais me impressionava era observar algumas crianças, principalmente as que iam de manhã para o Centro Juvenil, e poder ver e sentir a falta de carinho e a tristeza que traziam dentro de si. Esperando de nós um sorriso para alegrar-lhes o dia e fazer com que se sentissem aconchegadas.
O que me deixa mais saudades é a enorme convivência criada com os Noviços e os Jovens, uma convivência de pouco tempo, mas vivida com grande intensidade; criámos verdadeiros laços de amizade.
